COMÉRCIO EXTERIOR AGRO
Brasil inicia exportação de uvas com tarifa zero para a União Europeia
O setor de fruticultura comemora o primeiro embarque sob o acordo Mercosul-União Europeia, buscando maior competitividade e ampliação da presença global do Brasil.
O Brasil consolidou um avanço estratégico na fruticultura ao realizar os primeiros embarques de uvas com tarifa zero para a União Europeia. A decisão, viabilizada pelo acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, marca um passo decisivo para a competitividade do produtor nacional em um mercado historicamente restritivo.
A medida responde a uma demanda antiga do setor, que frequentemente competia em desvantagem tarifária frente a outros exportadores globais. Para o produtor brasileiro, o impacto vai além dos números: trata-se da valorização de um trabalho que busca, agora, refletir no preço final ao consumidor europeu, consolidando a qualidade e a aceitação das frutas do Brasil no exterior.
Em entrevista ao CNN Agro News, o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promícia, destacou que o sucesso é resultado de uma articulação contínua com parceiros como a Apex e o Ministério da Agricultura. O executivo ressaltou, entretanto, que a superação da barreira tarifária é apenas o início de um desafio maior: a transição de um setor que é o terceiro maior produtor mundial, mas ocupa apenas a 23ª posição nas exportações globais.
O potencial de crescimento é vasto, especialmente em culturas como a do limão Tahiti, cuja capacidade produtiva supera a demanda atual. "A árvore já está plantada, a oferta já existe, só falta a demanda", pontuou Promícia, mencionando que a abertura do mercado norte-americano segue como uma das principais metas da entidade.
Apesar do otimismo, o caminho para a expansão enfrenta obstáculos como barreiras sanitárias e gargalos logísticos em destinos estratégicos, como China e Índia. A Abrafrutas reforça que a solução passa pela inovação tecnológica, incluindo o uso crescente de bioinsumos — fungos e bactérias que combatem pragas com menor impacto químico. Segundo dados da associação, a adoção dessas tecnologias cresceu 70% nos últimos três anos, colocando o Brasil na vanguarda mundial e facilitando o atendimento às rígidas exigências fitossanitárias da União Europeia.
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