INOVAÇÃO NO SERTÃO
Casa 7 Evas consolida produção comercial de vinhos no Rio Grande do Norte
Após anos de testes adaptativos, a vinícola em São José de Mipibu inicia operação industrial com investimento total de R$ 50 milhões.
O Rio Grande do Norte prepara-se para ingressar na rota nacional do enoturismo com o início da produção comercial da Vinícola Casa 7 Evas. A decisão de avançar para a fase industrial, tomada pelo empresário Evanildo Palantsky, foi consolidada após oito anos de pesquisas intensas para adaptar o cultivo de uvas ao clima quente e à alta luminosidade potiguar, visando transformar o Estado em um novo polo vitivinícola de relevância nacional.
O empreendimento, localizado em São José de Mipibu, na Grande Natal, supera a barreira da experimentação para integrar enoturismo, gastronomia e produção em escala. Com previsão de lançamento oficial dos rótulos em novembro de 2026, a iniciativa representa uma mudança de paradigma para a economia regional, ao provar que a incidência solar do Nordeste, longe de ser um empecilho, favorece ciclos produtivos mais ágeis — permitindo até duas colheitas anuais, contra uma única safra no Sul do Brasil.
A estruturação da Casa 7 Evas ocorre em três etapas, com um investimento total projetado de R$ 50 milhões. A primeira fase, estimada em R$ 25 milhões, foca na vinícola. Paralelamente, o projeto expande suas operações para Upanema, no Oeste potiguar, onde 60 hectares serão dedicados à produção de suco de uva, com uma capacidade projetada de 2 milhões de litros por ano, além dos 200 mil litros anuais de vinho previstos.
O caminho até aqui foi marcado pela resiliência. Durante seis anos, o projeto enfrentou fases de testes rigorosos, com variedades como Malbec e Syrah, sob suporte técnico de instituições como o Sebrae-RN e regularização junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Essa dedicação em entender as especificidades do solo local foi essencial para que o empresário pudesse projetar o Rio Grande do Norte com um protagonismo similar ao observado no Vale do São Francisco.
Para os visitantes, a experiência já é uma realidade parcial, com degustações guiadas realizadas aos sábados na propriedade. A transição para a escala comercial representa, acima de tudo, a profissionalização de um sonho que busca conferir uma identidade própria aos vinhos produzidos no Estado, consolidando o enoturismo como um motor de desenvolvimento social e econômico para a região.
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