ALERTA DE CONTROLE

TCU aponta falhas no controle de recursos repassados pela União a estatais federais

Sede do Tribunal de Contas da União (TCU).
Tribunal de Contas da União (TCU) em Brasília.

Tribunal de Contas da União (TCU) identifica riscos no rastreamento de verbas federais destinadas a estatais não dependentes. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirma dialogar com o órgão fiscalizador sobre o tema.

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas significativas no controle dos recursos transferidos pela União para empresas estatais federais não dependentes. A análise das contas do governo referentes a 2025 revelou um risco iminente de uso inadequado dessas verbas em despesas correntes, o que motivou uma ressalva no parecer oficial do órgão.

Auditores do TCU apontaram que, apesar de a União poder realizar aportes financeiros para ampliar capital ou financiar investimentos nessas estatais, os mecanismos de rastreamento da aplicação dos recursos são insuficientes. Essa carência impede a comprovação de que o dinheiro está sendo utilizado estritamente para as finalidades estabelecidas por lei, comprometendo a transparência e a boa governança.

A dificuldade em monitorar os valores transferidos foi detalhada pelos fiscais. Eles explicaram que os aportes acabam incorporados ao caixa das estatais junto às suas receitas próprias, mascarando a origem e o destino exato dos recursos. Em algumas situações, o dinheiro permanece aplicado no mercado financeiro antes mesmo da execução dos projetos para os quais foi destinado, gerando incertezas quanto à sua aplicação efetiva.

Apesar das apontadas deficiências de controle, o TCU ressalta que não foram encontradas evidências concretas de desvio ou uso irregular dos fundos. A preocupação central reside na ausência de instrumentos de controle robustos que assegurem a rastreabilidade e permitam um acompanhamento preciso do fluxo financeiro após os repasses realizados pela União.

A falta de rastreabilidade, segundo os auditores, pode distorcer a percepção da real situação financeira dessas empresas. Além disso, dificulta a correta classificação das estatais como dependentes ou não dependentes do Tesouro Nacional, um fator que tem impacto direto na consolidação das contas públicas do país.

Em resposta às constatações, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) declarou, por meio de nota, que mantém um diálogo contínuo com o TCU sobre a matéria. Entretanto, o ministério não especificou se planeja implementar novos mecanismos de monitoramento para os recursos repassados às empresas estatais, deixando em aberto as soluções para a questão.

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