GESTÃO DE ESTATAIS

Função social de estatais mascara falhas de gestão, diz Landau

Elena Landau em estúdio de televisão debatendo temas econômicos.
Elena Landau durante entrevista ao CNN Prime Time discutindo a gestão de estatais no Brasil.

A economista Elena Landau alerta que o uso do pretexto social oculta déficits estruturais e aponta o risco de rombos bilionários ao Tesouro Nacional.

O uso da chamada "função social" das empresas estatais tem servido como um artifício para encobrir falhas graves de gestão financeira e fragilidades operacionais. A análise foi apresentada por Elena Landau, em 04/08/2026, durante entrevista ao CNN Prime Time, ao examinar a recorrência de déficits em companhias públicas ao longo das gestões do PT.

Segundo a economista, o PT (Partido dos Trabalhadores) sustenta a premissa de que a busca pelo lucro é dispensável para empresas estatais. Esse raciocínio, segundo a especialista, transformou-se em um mecanismo estrutural para justificar ineficiências administrativas que comprometem o patrimônio público.

Os Correios foram apontados como o caso mais emblemático de deterioração administrativa. Landau manifestou preocupação com a perda de credibilidade de marcas históricas como o Sedex e questionou a viabilidade futura da empresa. Para ela, o cenário é crítico: a necessidade de um aporte via empréstimo que pode atingir R$ 20 bilhões aponta para um passivo que dificilmente será honrado, transferindo o prejuízo diretamente ao Tesouro Nacional.

"O governo está pegando empréstimo caríssimo em vez de, uma vez por todas, resolver o que fazer com os Correios", pontuou. Ao ser questionada por Lucinda Pinto sobre alternativas, Landau defendeu que a prestação de serviços essenciais pode ser mantida pela iniciativa privada através de editais rigorosos, como já ocorre nos setores de energia e saneamento, sem que isso implique em desperdício de recursos.

A economista também citou a situação da Ceitec, cuja interrupção do processo de liquidação pelo atual governo integra uma série de decisões consideradas questionáveis. Caso não encontre um caminho para a sustentabilidade, o futuro das estatais aponta para a dependência total do orçamento federal, pressionando o resultado primário e gerando novos riscos para a estabilidade das contas públicas do Brasil.

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