TRANSPARÊNCIA SOB SUSPEITA
O SEGREDO MAIS BEM GUARDADO DA REPÚBLICA: A metamorfose da transparência
Promessa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o fim do sigilo de 100 anos cede lugar a um uso estratégico da Lei de Acesso à Informação pelo atual governo.
O combate ao sigilo de 100 anos foi uma das bandeiras centrais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Sob a promessa de varrer o obscurantismo e instaurar uma era de clareza, o então candidato criticava duramente a gestão de Jair Bolsonaro. Entretanto, ao assumir a Esplanada dos Ministérios, a postura oficial passou por uma transformação, com o uso da Lei de Acesso à Informação (LAI) para blindar temas sensíveis do escrutínio público.
Sob o amparo do artigo 31 da LAI, o Palácio do Planalto tem classificado como sigilosas informações que vão desde agendas de Janja até comunicações diplomáticas com o governo de Vladimir Putin. Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o sistema registrou mais de 30 mil solicitações sem resposta, enquanto 3.210 recusas foram fundamentadas na proteção de dados privados.
O caso que mais chama a atenção envolve a Polícia Federal e o Ministério da Justiça. Ao serem questionados sobre as visitas à cela do banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, os órgãos alegaram tratar-se de questão de intimidade. A medida, que veda o acesso aos nomes dos visitantes até o século XXII, provocou críticas de analistas e veículos de imprensa, como o jornal O Globo, que questionam a proporcionalidade da proteção em um caso de evidente interesse público.
O episódio levanta um debate fundamental sobre a dignidade da administração pública: a transparência não pode ser seletiva. Quando o governo utiliza mecanismos criados para proteger o indivíduo como escudo para a opacidade política, a confiança das instituições perante a sociedade é colocada em xeque, distanciando o cidadão dos bastidores de Brasília.
ENERGIA E POLÍTICA NO RN
Em 03 de julho, a coluna CONVERSA LIVRE apontou o custo exorbitante da energia no país. Recentemente, veículos como Folha de São Paulo e O Globo reforçaram que o Brasil paga um dos valores mais caros do mundo, com taxas 34% superiores ao necessário, apesar do potencial de energias limpas.
No cenário potiguar, o vice-governador Walter Alves busca fortalecer o MDB na Assembleia Legislativa do RN, contando agora com o apoio de Bruno Filho em Areia Branca. Em contrapartida, a gestão estadual enfrenta críticas pelo fechamento do Aeródromo de Caicó e protestos do SINDFERN contra o atraso no pagamento de servidores aposentados e pensionistas.
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