ALERTA DE RISCO

Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para risco de queimaduras em festas juninas e julinas

Crianças celebrando em uma festa junina com decorações típicas.
Festas juninas e julinas acendem alerta para risco de queimaduras em crianças e adolescentes.

No período de 2024 e 2025, o SUS registrou 13.800 internações de crianças e adolescentes por queimaduras. A Sociedade Brasileira de Pediatria pede atenção redobrada.

As tradicionais festas juninas e julinas, momentos de celebração cultural no Brasil, intensificam a necessidade de cuidados para prevenir queimaduras em crianças e adolescentes. Na segunda-feira, 22 de junho de 2026, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta destacando os perigos associados a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras e o manuseio de alimentos quentes.

"As festas fazem parte da cultura brasileira e são momentos de celebração para muitas famílias, mas também exigem atenção redobrada porque neste período há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes e outros materiais inflamáveis", afirmou o presidente da SBP, Edson Liberal.

Segundo a entidade, a maioria das internações pediátricas por queimaduras no SUS ocorre com menores de 5 anos. Entre 2024 e 2025, este grupo etário concentrou 53,8% das hospitalizações registradas em crianças e adolescentes. Em números absolutos, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 13.800 internações por queimaduras e outros acidentes térmicos graves no período, sendo 6.965 casos em 2024 e 6.855 em 2025. É importante notar que este levantamento considera apenas os casos que demandaram internação hospitalar, o que sugere que o número real de ocorrências pode ser significativamente maior, incluindo atendimentos em unidades de pronto atendimento ou tratamentos domiciliares que não entram nas estatísticas hospitalares.

A recomendação da SBP é clara: crianças não devem manusear fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer objeto que envolva fogo ou explosão. A supervisão constante de um adulto e o afastamento de fontes de calor são medidas essenciais para garantir a segurança e a dignidade dos pequenos durante as festividades.

A boa notícia é que a prevenção é o caminho mais eficaz. A adoção de medidas simples, informação e a vigilância adequada por parte dos responsáveis podem evitar a maioria das queimaduras associadas a fogueiras, fogos de artifício e ao manuseio de líquidos e alimentos quentes.

Impacto das Internações

Nos dois anos analisados (2024 e 2025), uma média de quase 20 crianças e adolescentes foram hospitalizados diariamente devido a queimaduras. A análise da SBP, com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde, revela que 20% dos hospitalizados por queimaduras e acidentes térmicos tinham entre 5 e 9 anos, totalizando 2.820 internações. O grupo de 10 a 14 anos registrou 1.848 casos (13%), seguido pelos adolescentes de 15 a 19 anos, com 1.721 casos (12%).

As hospitalizações também decorreram de exposição à corrente elétrica, temperaturas extremas e agressões. Tragicamente, as formas mais graves desses acidentes resultaram em mais de 300 óbitos de crianças e adolescentes por ano em 2023 e 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS. Esses números reforçam a urgência de medidas preventivas e educativas para proteger as crianças e adolescentes, garantindo que as celebrações culturais não se transformem em tragédias evitáveis.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 22 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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