INOVAÇÃO NA NEUROLOGIA

Fiocruz lidera estudo que usa vírus HTLV-1 para investigar Esclerose Múltipla progressiva

Representação gráfica de células do sistema nervoso central sob investigação.
Estudo brasileiro busca novas estratégias para tratar a Esclerose Múltipla através da análise de modelos de neurodegeneração.

Pesquisa publicada na Brain propõe modelo translacional para entender a neurodegeneração e buscar novas estratégias de proteção ao sistema nervoso.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou um estudo inovador que utiliza a mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP) como um modelo humano para desvendar os mecanismos da neurodegeneração progressiva, buscando caminhos inéditos para o tratamento da Esclerose Múltipla (EM). A pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros, foi divulgada recentemente na renomada revista científica Brain.

A decisão de utilizar o vírus HTLV-1 como base comparativa fundamenta-se na necessidade urgente de deter a perda neural silenciosa e gradual que caracteriza as formas progressivas da Esclerose Múltipla. Enquanto a medicina moderna domina o controle de surtos agudos, a progressão da doença ainda impõe limitações físicas severas aos pacientes, impactando diretamente a autonomia e a qualidade de vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,9 milhões de pessoas convivem com a condição, sendo 40 mil delas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O trabalho, liderado por Marcus Tulius Silva, não se trata de um ensaio clínico, mas de uma revisão científica abrangente que analisou evidências acumuladas entre 1990 e 2025 nas bases PubMed e Embase.

Ao comparar a inflamação crônica causada pelo HTLV-1 com o quadro da Esclerose Múltipla, os pesquisadores identificaram que, embora as causas iniciais sejam distintas — sendo uma infecção viral no primeiro caso e autoimune no segundo —, ambas convergem para o mesmo destino biológico: uma inflamação persistente que deteriora o sistema nervoso. A proposta é utilizar esse entendimento para antecipar a evolução da doença através de biomarcadores e acelerar a descoberta de terapias neuroprotetoras.

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