SISTEMA PÚBLICO EM COLAPSO
Crise na saúde do Equador força famílias a custear insumos hospitalares
Pacientes e familiares enfrentam a escassez de medicamentos básicos em hospitais públicos, enquanto o governo busca centralizar o abastecimento para frear a corrupção.
O sistema público de saúde do Equador enfrenta um cenário de vulnerabilidade crônica, onde pacientes e seus familiares são obrigados a arcar com os custos de insumos básicos e medicamentos essenciais que deveriam ser garantidos pelo Estado. A decisão do governo de buscar alternativas para o suprimento hospitalar responde à pressão social por um atendimento digno e eficiente, em um momento em que a escassez impacta diretamente a sobrevivência dos cidadãos.
A crise de abastecimento no Hospital Público Eugenio Espejo, em Quito, reflete o drama vivido em diversas unidades do país. Familiares, como María del Carmen Sigcho, relatam a necessidade diária de adquirir itens simples, como luvas cirúrgicas e ampolas, para garantir o tratamento de entes queridos internados. A ausência desses recursos transforma a rotina de quem busca cura em uma peregrinação angustiante por farmácias particulares.
O impacto econômico é severo. Com o desabastecimento nacional atingindo uma média de 66% em fevereiro, conforme dados oficiais, cidadãos como Denis Arévalo e Guido Muñoz veem suas reservas financeiras esgotarem-se para cobrir receitas de itens vitais. A situação é ainda mais crítica para pacientes renais, cuja vida depende da continuidade da diálise. Kevin Valdez, porta-voz do Frente de Pacientes Renais, alerta que a interrupção no fornecimento, agravada por dívidas do Estado com clínicas privadas, marginaliza pacientes e coloca em xeque o direito constitucional à saúde.
Em maio, o presidente Daniel Noboa determinou, via decreto, a criação de uma empresa estatal com autonomia orçamentária para centralizar a compra e o fornecimento de medicamentos e equipamentos. A medida visa otimizar a logística e combater infiltrações do crime organizado no sistema de saúde. Embora a Federação Médica Equatoriana apoie a iniciativa, a entidade exige transparência e maior participação da sociedade na gestão desses recursos.
O cenário é complexo e permeado por episódios de violência, com o governo denunciando máfias que tentam controlar contratos hospitalares. Enquanto o Estado busca reestruturar sua gestão, o especialista e consultor da OPAS, José Ruales, questiona a rotatividade ministerial no governo de Daniel Noboa, apontando que a instabilidade administrativa tem sido um obstáculo para a continuidade das políticas públicas necessárias para estancar a crise e proteger a vida dos equatorianos.
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