NOVA ERA PARA SOMP
Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP): Entenda a mudança de nome e o impacto na vida de milhões
Decisão global de renomear a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) busca refletir impacto real e impulsionar pesquisas. Mudança de nome visa combater estigma e melhorar o cuidado com as pacientes, que lutam há 14 anos por reconhecimento.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), condição que afeta cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva — aproximadamente 170 milhões de pessoas no mundo —, foi oficialmente renomeada para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A decisão, fruto de uma colaboração internacional que durou 14 anos, visa aprimorar a compreensão da doença, combater o estigma associado e impulsionar pesquisas e tratamentos mais eficazes. A mudança, articulada por especialistas clínicos, sociedades científicas e organizações de pacientes, responde a um clamor histórico das próprias portadoras da síndrome, que buscavam um nome que refletisse a complexidade e a abrangência de seus impactos.
Para Chelle Robotham, de 30 anos, a SOP sempre significou uma batalha contra a exaustão crônica. "Sinto que poderia ter feito muito mais na vida se não estivesse constantemente exausta, porque isso drena minha energia de uma forma ou de outra", relatou à BBC, evidenciando como a síndrome interfere em suas decisões diárias. Jenef Ngombo, por sua vez, viu sua autoestima abalada pelos sintomas iniciais, como o crescimento de pelos faciais aos 12 anos, o que a fez questionar sua própria feminilidade. O peso e a preocupação com a fertilidade também são grandes angústias.
A SOMP manifesta-se por meio de uma gama diversificada de sintomas, incluindo exaustão, crescimento excessivo de pelos, obesidade, irregularidades menstruais e dificuldades para engravidar ou infertilidade. Além disso, a síndrome eleva o risco de desenvolver outras condições de saúde, como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer de endométrio. Estima-se que até 70% dos casos não são diagnosticados, o que significa que sete em cada dez mulheres afetadas desconhecem sua condição, um reflexo da falta de conhecimento e do estigma histórico.
O histórico da denominação da síndrome é marcado por imprecisões. Descrita pela primeira vez em 1935 pelos ginecologistas Irving Stein e Michael Leventhal, foi inicialmente chamada de síndrome de Stein-Leventhal. O nome posterior, síndrome dos ovários policísticos (SOP), embora vigente por décadas, era enganoso. Ele sugeria uma condição puramente ovariana e ginecológica, ignorando seu caráter multissistêmico, a resistência à insulina e o desequilíbrio de andrógenos, que afetam múltiplos sistemas do corpo. A médica e doutora em epidemiologia Susana Lozano Esparza ressalta que a medicina, historicamente, tende a subestimar doenças que afetam predominantemente mulheres, o que se traduz em menor investimento em pesquisa e conscientização.
A "desvalorização da doença" é um ponto crítico destacado por Lozano. Ela aponta que muitos sintomas, como sangramentos intensos e dores fortes durante a menstruação, eram normalizados desde a adolescência, com frases como "isso faz parte de ser mulher". Mesmo ao buscar ajuda médica, pacientes frequentemente ouviam minimizações e recomendações genéricas, como o uso de anticoncepcionais orais, sem um aprofundamento nas causas ou impactos a longo prazo. A síndrome também se entrelaça com questões sociais e estigmas sobre fertilidade, peso e feminilidade, com relatos de mulheres que ouviram de profissionais de saúde que "nunca conseguiriam engravidar" ou que "ninguém iria querer casar" com elas.
A mudança para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) é vista como um marco. Helena Teede, endocrinologista e líder da campanha de renomeação, descreve o esforço como "sem precedentes", impulsionado pelas pacientes. A nova denominação busca libertar a condição da "paralisia" de décadas, onde o financiamento para pesquisas era escasso. A expectativa é que a SOMP atraia mais investimentos, gere mais evidências científicas, promova melhor educação e culmine em um atendimento mais abrangente. Kate Morris, da Verity SOMP, acredita que o novo nome empoderará as pacientes a comunicar a natureza metabólica e endócrina de sua condição. Lozano reforça a necessidade de maior conscientização pública e entre formuladores de políticas, além de um tratamento que integre suporte emocional e biológico para melhorar drasticamente a qualidade de vida das portadoras.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário