FALTA DE ESPAÇO
Seis irmãos, entre 1 e 13 anos, dormiram no chão por falta de vagas em abrigos da Prefeitura de SP
Crianças, com idades entre 1 e 13 anos, passaram mais de 24 horas sob os cuidados do Conselho Tutelar de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, e precisaram de doações de alimentos.
A dignidade de seis irmãos, com idades entre 1 e 13 anos, foi posta à prova. Eles passaram mais de 24 horas dentro do Conselho Tutelar de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, sem ter para onde ir. A falta de vagas em abrigos da Prefeitura de SP impediu o acolhimento adequado, forçando as crianças a dormirem no chão, utilizando cobertores doados. A situação só foi amenizada com uma mobilização emergencial que garantiu alimentos.
A decisão de onde as crianças seriam abrigadas, ou a ausência dela, se estendeu por um período crítico. Os conselheiros da unidade relataram que o grupo chegou ao local por volta das 16h de quinta-feira, 21 de maio de 2026. O pedido formal por vagas em unidades de acolhimento foi realizado às 21h30 do mesmo dia. No entanto, até a noite de sexta-feira, 22 de maio de 2026, as crianças permaneciam no prédio do Conselho Tutelar, sem uma solução definitiva.
Um desdobramento agudo da situação ocorreu no início da noite de sexta-feira, quando a prefeitura ofereceu vagas em unidades distintas. Essa proposta, porém, contraria diretamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que preza pela manutenção dos laços familiares e do convívio entre irmãos. A separação das crianças foi considerada inaceitável pelas conselheiras, que lutavam para manter o grupo unido.
“Toda a equipe presente, de madrugada, articulando... e as crianças estão aqui. E nós estamos tendo muita dificuldade para conseguir vaga, não só o conselho daqui, como os 52 conselhos”, desabafou Dinoar Silva da Mata, conselheira tutelar. O impasse demonstra a sobrecarga e a complexidade do sistema de acolhimento na cidade.
A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que um encaminhamento para uma unidade de acolhimento estava sendo providenciado para as seis crianças e adolescentes. Segundo a pasta, os irmãos foram encontrados em estado de abandono e negligência, vivendo com o pai em condições precárias, sem alimentação adequada e expostos a baixas temperaturas. A secretaria ressaltou que a Central de Vagas da Assistência Social atua para identificar o serviço mais apropriado para cada caso, visando garantir a proteção e o bem-estar dos menores.
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