PROTEÇÃO DE MENORES

Discord deve suspender transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD

Interface do aplicativo Discord com aviso de suspensão de serviços
ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Decisão visa conter abusos e falhas de segurança após casos graves de violência; plataforma alega que medida é prematura.

A funcionalidade de transmissão ao vivo do Discord deve ser desativada no Brasil, conforme determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida foi definida na última quarta-feira (12), em caráter preventivo, devido à constatação de falhas graves na proteção de crianças e adolescentes no ambiente da plataforma.

A decisão, fundamentada nas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, busca estancar a utilização recorrente do serviço para práticas como assédio, indução à automutilação e suicídio. A necessidade de intervenção tornou-se urgente após a repercussão de um caso trágico envolvendo uma adolescente de 13 anos, durante o qual a empresa admitiu uma falha crítica em seu sistema de alerta e moderação.

Marie Santini, diretora do NetLab UFRJ, avalia a suspensão como uma medida assertiva para o cenário atual. "É um passo importantíssimo para que a gente abra precedente para outras plataformas se adequarem", pontua Maria Mello, do Instituto Alana, reforçando que a eficácia da sanção dependerá da resposta da companhia na implementação de mecanismos de segurança robustos.

Em sua defesa, o Discord classificou a sanção da Agência Nacional de Proteção de Dados como prematura, sustentando que os investimentos em segurança não condizem com a caracterização feita pelos reguladores. A empresa, que chegou a apresentar propostas à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), solicitou a revogação da ordem, argumentando que o prazo de três dias úteis para a desativação técnica é inviável.

Especialistas ressaltam que, além de multas, a fiscalização deve impactar o modelo de negócios das empresas para garantir mudanças reais. A proteção efetiva, segundo especialistas, exige desde a verificação rigorosa de idade até a aplicação de inteligência artificial na detecção precoce de grooming e exploração, garantindo que o ambiente digital não seja um refúgio para criminosos.

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