INCLUSÃO E CULTURA

Arte como ponte: coletivos resgatam dignidade na Cracolândia

Membros do coletivo Pagode na Lata em atividade musical na região central de São Paulo.
Coletivos como "TTT" e "Pagode na Lata" oferecem aulas de arte, rodas de samba e profissionalização aos adictos, como forma de tratamento.

Projetos como TTT e Pagode na Lata utilizam a música e a profissionalização para reduzir danos entre dependentes químicos na capital paulista.

O atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade na Cracolândia, região central de São Paulo, conta com uma rede de apoio que vai além das ações oficiais da Prefeitura e do governo estadual. Coletivos e organizações da sociedade civil desempenham um papel fundamental ao integrar métodos de Redução de Danos, estratégia consolidada no Brasil desde a década de 1980, iniciada em Santos durante a epidemia de HIV.

Desde maio de 2025, o cenário de atuação sofreu transformações profundas devido ao espalhamento dos dependentes químicos. Grupos como Teto, Trampo e Tratamento (TTT) e Pagode na Lata precisaram adaptar suas estratégias, concentrando esforços em locais específicos, como os Centros de Atenção Psicossocial (Álcool e Drogas), para manter o acolhimento a essa população.

Arte e resistência como ferramentas de vínculo

A filosofia adotada por esses coletivos é antiproibicionista, focando no resgate da humanidade e na oferta de novas perspectivas, independentemente da abstinência imediata. Lydia Gama, advogada e coordenadora do TTT, ressalta que o impacto vai além do assistencialismo: trata-se de permitir que o indivíduo se enxergue como ser humano.

O TTT promove oficinas que incluem Letramento, pensamento crítico e Ritmo e escrevivências, além de apoiar a inserção profissional por meio da Operação Trabalho (POT). Já o Pagode na Lata utiliza o samba como catalisador de mudança. Leonardo dos Santos, integrante do grupo e ex-orientador socioeducativo do programa De Braços Abertos, explica que a música oferece um respiro concreto no consumo de substâncias.

A eficácia da Redução de Danos

A abordagem baseada em direitos humanos busca preservar a integridade física e mental. Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro sobre o programa De Braços Abertos, implementado em 2014 na gestão de Fernando Haddad, indicou que 87,90% dos usuários reduziram o uso de crack. Dados mostram que a assistência social, a educação e a oferta de trabalho são pilares essenciais para que esses indivíduos encontrem caminhos de saída da vulnerabilidade.

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