MAIORIDADE PENAL EM DEBATE
Secretário de Segurança do RN, coronel Araújo, refuta redução da maioridade penal como solução para violência
Coronel Francisco Araújo argumenta que foco deve ser em políticas públicas sociais, como educação e esporte, para combater a criminalidade.
A proposta de redução da maioridade penal não é vista como uma solução eficaz para os crescentes problemas de violência e criminalidade no Brasil. A avaliação é do secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte, coronel Francisco Araújo. Em entrevista à rádio 94 FM, realizada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, o secretário alertou para a necessidade de cautela no debate de tais propostas, que voltam a ser discutidas no Congresso Nacional. Araújo defende que a abordagem para lidar com a criminalidade juvenil deve estar intrinsecamente ligada ao desenvolvimento e à implementação de políticas públicas robustas nas áreas de educação, esporte, lazer e geração de oportunidades para os jovens.
“Falar em maioridade penal ou menoridade penal no Brasil, na situação dos problemas que o Brasil tem, das desigualdades sociais, é muito preocupante”, afirmou o coronel. Ele ressaltou que a atenção de todos deve se voltar para a criação de escolas de tempo integral e políticas públicas de segurança eficazes, pois, segundo sua análise técnica, a alteração da idade penal não influenciará significativamente nos índices de criminalidade e violência do País.

O secretário explicou que a redução da idade penal é frequentemente apresentada como uma resposta imediata à violência, mas que essa abordagem falha ao não confrontar as causas estruturais do problema. “A partir do momento que o jovem tiver escola de tempo integral, tiver esporte, lazer, recreação, ocupação, tiver geração de emprego e renda, a tendência é a criminalidade diminuir”, disse, adicionando que é uma medida fácil de propor, mas que ele oferece uma opinião técnica sobre o assunto.
Com mais de quatro décadas de experiência no serviço público, Araújo argumenta que a simples modificação da idade mínima para responsabilização criminal não trará resultados concretos. Ele pondera sobre a dificuldade em fixar uma idade limite, questionando: “Ora, se hoje é 18 anos e nós diminuímos para 16, amanhã alguém vai querer diminuir para 14. Depois de amanhã alguém vai querer diminuir para 12. Então, é muito difícil, vamos dizer, é quase intangível a gente conseguir medir essa idade da maioridade.”
Embora reconheça que os adolescentes de hoje possuem acesso a um volume de informações muito maior do que gerações anteriores, especialmente devido à globalização e às mídias sociais, o secretário reforça que o encarceramento por si só não é suficiente para reduzir a violência. “Hoje o mundo é um mundo totalmente diferente. O mundo é globalizado com mídias sociais. O nível de conhecimento de um adolescente hoje é muito maior do que na minha época quando eu não tinha acesso às redes sociais que tem hoje. O nível de esclarecimento das pessoas. Mas encarcerar só por encarcerar pessoas não necessariamente vai reduzir a criminalidade de violência.”
Segundo Araújo, o avanço das facções criminosas está diretamente ligado à falha histórica em investimentos sociais. “O que acontece hoje, que a polícia luta contra as organizações criminosas, é porque as políticas públicas falharam no passado. Com escola, esporte, lazer, recreação, escola de tempo integral. Se nós tivéssemos tido tudo isso antes, a sociedade hoje seria muito melhor.”
Redução de Mortes Violentas em Natal
Durante a entrevista, o secretário também comentou os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), que indicam que Natal registrou, em maio de 2026, o menor número de mortes violentas dos últimos 16 anos. Estes indicadores, segundo ele, são produzidos pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine) e passam por auditorias externas rigorosas, sendo utilizados em relatórios nacionais por órgãos especializados. A redução da violência, conforme Araújo, é um fator que impulsiona o desenvolvimento econômico do Estado. "Isso faz com que o turismo, a geração de emprego e renda em Natal e no Rio Grande do Norte, melhore, porque é divulgado a nível nacional e as pessoas vêm para um local turístico que tem menos violência." Os dados revelam uma redução de 83,33% no número de mortes violentas em maio de 2026, quando comparado a maio de 2016, que registrou 54 ocorrências na capital potiguar.
Combate a Facções Criminosas
Em relação à atuação de facções criminosas no Rio Grande do Norte e à classificação dessas organizações como grupos terroristas por autoridades dos Estados Unidos, o coronel Araújo afirmou que o Brasil possui legislação própria para lidar com o tema. “Respeitamos a opinião dos outros países, mas aqui no Brasil, o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e principalmente o Ministério da Justiça, em todos os estudos feitos, não classificam [como terroristas].” Ele esclareceu que qualquer alteração nesse entendimento dependeria de aprovação legislativa, pois “No Brasil só quem pode, vamos dizer, classificar, seria uma proposta de lei no Congresso Nacional.” O secretário enfatizou que o trabalho das forças de segurança estaduais é direcionado ao combate permanente às organizações criminosas, independentemente de sua denominação ou origem. "Aqui no Rio Grande do Norte, é diuturno, é todos os dias, todas as horas, um enfrentamento às organizações criminosas, independente das cores que elas têm, independente do nome que ela tem, nós classificamos todas como organizações criminosas e fazemos um enfrentamento diuturno", concluiu.
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