SEGURANÇA E POLÍTICA

Entenda o modelo El Salvador e sua influência na política da América Latina

Vista aérea de uma megaprisão em El Salvador com milhares de detentos sob custódia.
O Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) é o maior presídio das Américas e símbolo do modelo de Bukele.

Conheça o sistema de prisões em massa e estados de exceção que inspira candidatos no Brasil e em países vizinhos sob a liderança de Nayib Bukele.

O modelo de gestão de segurança pública adotado por Nayib Bukele em El Salvador ganhou protagonismo no debate eleitoral recente. Lideranças políticas como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) citaram o sistema salvadorenho como referência para o enfrentamento da criminalidade em suas propostas, movimento que ecoa tendências observadas em toda a América Latina.

Flávio Bolsonaro (PL), cujo posicionamento é aguardado nesta segunda-feira (10), também demonstra alinhamento com a agenda de Bukele, tendo inclusive visitado o país centro-americano ao lado de Eduardo Bolsonaro para estreitar laços na área de segurança.

O que define o modelo Bukele

A estratégia central do governo salvadorenho, em vigor desde 2019, baseia-se no combate rigoroso às gangues. O símbolo máximo dessa política é o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a maior prisão das Américas, com capacidade para 40 mil detentos. A escala da estrutura impressiona pela comparação: o Complexo do Carandiru, que já foi o maior da América Latina, abrigava 8 mil pessoas.

Desde 2022, a administração de Bukele mantém o país em estado de exceção, que já foi renovado mais de 50 vezes. A medida suspende garantias constitucionais, permitindo prisões sem mandados judiciais baseadas, muitas vezes, apenas em denúncias anônimas. Segundo a Comissão Inter-Americana dos Direitos Humanos, mais de 91.500 pessoas foram detidas, um contingente equivalente a 1,5% da população total.

Expansão internacional e polêmicas

O modelo ganhou contornos de exportação após uma parceria firmada em 2025 entre Bukele e o então presidente dos Estados Unidos, Trump. O acordo prevê que El Salvador receba imigrantes venezuelanos detidos pelo ICE em território americano, sob a justificativa de que seriam membros de gangues. O pacto, custeado pelos cofres americanos, consolidou a imagem do líder salvadorenho como um modelo de "mão de ferro" na gestão da segurança.

O impacto dessa política no cotidiano dos salvadorenhos é profundo. Embora os índices de violência tenham registrado queda, entidades internacionais alertam para o risco de autoritarismo, incluindo denúncias de julgamentos coletivos e perseguição a opositores. A eficácia percebida na redução dos crimes, contudo, tem garantido alta popularidade ao presidente, reeleito em 2024.

Propostas no cenário brasileiro

Durante sabatinas promovidas pelo g1 e pela GloboNews, os candidatos brasileiros apresentaram visões distintas sobre a importação das medidas. Enquanto Zema rejeitou a aplicação integral das táticas de combate, Renan Santos defendeu a construção de megaprisões, embora tenha ressalvado não compactuar com prisões sem mandados. Já Caiado pontuou que o governo de El Salvador demonstrou interesse em analisar as práticas prisionais goianas.

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