ÚLTIMA CHANCE ACORDO

Samsung e Sindicato negociam última chance para evitar greve histórica na Coreia do Sul

Loja da Samsung em Seul, na Coreia do Sul, com clientes e logotipo da empresa.
Loja da Samsung em Seul, na Coreia do Sul — Foto: Reuters/Kim Hong-Ji

Gigante da tecnologia e trabalhadores retomam diálogo nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, sob pressão de greve que pode impactar economia global.

A Samsung Electronics e o sindicato de trabalhadores da companhia na Coreia do Sul retomarão as negociações nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, em um esforço decisivo para evitar a maior paralisação trabalhista da história da gigante tecnológica. Após uma rodada de conversas infrutífera nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, as partes buscam um acordo para desarmar uma ameaça que, se concretizada, pode desestabilizar a economia sul-coreana e comprometer cadeias globais de suprimentos em um momento de escassez mundial de chips de memória.

A possibilidade de uma greve de 18 dias, com início previsto para a próxima quinta-feira, 21 de maio de 2026, mobiliza as autoridades do país. A Samsung é a maior fabricante de chips de memória do mundo e responde por quase um quarto das exportações da Coreia do Sul. Uma paralisação envolvendo mais de 45 mil funcionários afetaria não apenas os resultados da empresa, mas também o crescimento econômico e os mercados financeiros do país.

Um representante do sindicato afirmou o compromisso da entidade com “negociações de boa fé” para chegar a um consenso. Park Su-keun, presidente da Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, confirmou a retomada do diálogo, reconhecendo, contudo, a distância entre as posições das partes nesta segunda-feira.

A principal demanda do sindicato é a eliminação do teto de bônus, que atualmente limita o valor a 50% dos salários anuais. Além disso, os trabalhadores exigem que a Samsung destine 15% do lucro operacional anual para um programa de participação nos resultados. A contraproposta da Samsung sugere reservar entre 9% e 10% do lucro operacional anual para bônus, que este ano deve superar os 200 trilhões de wons. No entanto, a empresa insiste em manter o limite de 50% para o pagamento adicional.

Ações sobem com decisão judicial

Em meio ao impasse, um tribunal sul-coreano atendeu parcialmente ao pedido da Samsung por uma medida legal contra ações que possam ser consideradas ilegais durante a greve. Esta decisão, que visa aumentar a pressão sobre o sindicato, poderá obrigar milhares de funcionários a trabalhar em caso de paralisação para evitar danos a materiais e instalações de produção. Cerca de 47 mil trabalhadores declararam intenção de aderir à greve.

A corte estabeleceu multas significativas para o caso de descumprimento da decisão: os dois principais sindicatos podem ser penalizados em 100 milhões de wons (aproximadamente US$ 72 mil) por dia, enquanto os líderes sindicais enfrentam multas de 10 milhões de wons por dia. Contudo, em nota, o sindicato afirmou que a decisão judicial não impede a realização da greve caso as negociações terminem sem acordo. A Samsung Electronics não se pronunciou sobre a decisão.

As autoridades sul-coreanas expressam crescente preocupação com o cenário. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, que tem proximidade com os sindicatos, enfatizou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, na rede social X, que os direitos da administração das empresas devem ser respeitados tanto quanto os direitos dos trabalhadores, equilibrando a importância do diálogo e da legalidade.

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