DIPLOMACIA E TENSÃO

Lula critica escalão do governo EUA após tarifas contra o Brasil

Lula e Donald Trump em encontro oficial
Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem comércio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva classifica conversas com Donald Trump como respeitosas, mas questiona ações técnicas de assessores americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou divergências sobre a postura do segundo escalão do governo dos Estados Unidos após contatos diplomáticos com o presidente Donald Trump. A declaração, feita em entrevista à TV Record no domingo (23/08/2026), reflete a tensão gerada pela imposição recente de tarifas comerciais ao Brasil, medida que o Palácio do Planalto considera infundada.

Lula destacou que, apesar da cordialidade no diálogo direto com Donald Trump, ocorrido na sexta-feira (21/08/2026), decisões operacionais da equipe americana frequentemente contradizem o tom amistoso da cúpula. "A minha conversa com o Trump é muito civilizada. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão", pontuou o presidente.

O impacto dessas decisões afeta diretamente a soberania econômica brasileira. Segundo Luiz Inácio Lula da Silva, as justificativas utilizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para as sanções ignoram os avanços do Brasil no combate ao desmatamento e ao trabalho escravo. A expectativa agora é que a reunião técnica agendada para a próxima semana entre os ministérios da Indústria e Comércio de ambos os países possa reverter as barreiras impostas.

O presidente ressaltou a importância da parceria histórica de 203 anos entre as duas nações, reiterando o desejo de manter relações baseadas na estabilidade e no exemplo democrático para o hemisfério. "Somos as duas maiores democracias do hemisfério. Temos que passar bons exemplos ao resto do mundo", completou.

Durante a mesma entrevista, Luiz Inácio Lula da Silva abordou questões internas de investigação, incluindo o caso de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O presidente enfatizou que não interfere em apurações da Polícia Federal e defendeu que todos, incluindo seus familiares, devem responder conforme a lei. "Se alguém está agindo de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. O Lulinha terá que provar sua inocência", afirmou.

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