TRANSPARÊNCIA E GESTÃO

Republicanos destinou 43% de emendas de comissão à PB de Hugo

Edifício do Congresso Nacional e Câmara dos Deputados em dia ensolarado.
Fachada da Câmara dos Deputados em Brasília.

Relatório aponta que quase metade das emendas de liderança do partido em 2025 foi enviada ao estado natal do presidente da Câmara. A prática levanta debates sobre a falta de identificação dos autores reais.

O estado da Paraíba recebeu cerca de R$ 95 milhões em emendas de comissão da Câmara dos Deputados ao longo de 2025, um volume que representa 43,5% do total de R$ 218,4 milhões indicados pela liderança do Republicanos no mesmo período. Conforme dados revelados pela Transparência Brasil, o montante, consolidado em 13/07/2026, destaca a concentração de recursos em redutos políticos específicos sem a devida transparência sobre quem solicitou a verba.

A prática, apontada por especialistas como um sucessor do antigo orçamento secreto, ocorre quando lideranças partidárias, como o deputado Gilberto Abramo (MG), assinam solicitações sem identificar o parlamentar responsável pelo apadrinhamento da indicação. Segundo o levantamento, o Republicanos foi um dos sete partidos que, juntos, movimentaram R$ 1,3 bilhão via emendas de comissão assinadas por líderes em 2025.

A falta de clareza sobre os autores dos pedidos impacta diretamente a sociedade, que perde a capacidade de fiscalizar a origem e o destino dos recursos públicos. A Transparência Brasil reforça que as comissões permanentes deveriam registrar em ata o nome do deputado proponente, mas a cultura de indicações gerais por meio de lideranças tem ocultado essas informações.

O cenário de incertezas orçamentárias se agravou em 2026, com o registro de R$ 373,8 milhões em emendas sem autoria declarada até maio. Em meio a esse debate, o STF tem intensificado o escrutínio sobre o tema. Recentemente, o ministro Flávio Dino determinou bloqueios de bens de figuras políticas como Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), em processos que investigam irregularidades em direcionamentos de emendas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou as intervenções do Supremo Tribunal Federal como uma tentativa de criminalizar a atividade parlamentar, defendendo a legalidade das indicações. Enquanto o Parlamento e o STF divergem sobre os limites dessas emendas, os números mostram uma escalada exponencial: enquanto em 2022 o volume de emendas de comissão pagas era de R$ 136,1 milhões, o montante saltou para R$ 9,3 bilhões em 2025.

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