FALHA NA COMUNICAÇÃO MÉDICA
Quase um terço de adultos interpreta mal instruções médicas, aponta pesquisa
Um estudo revela que dificuldades em entender diagnósticos e dosagens de medicamentos são comuns, impactando a saúde e a dignidade dos pacientes.
Novas pesquisas indicam que mal-entendidos e erros relacionados a informações de saúde e instruções de medicamentos são generalizados, afetando a capacidade de quase um terço dos americanos de meia-idade em lidar com tarefas de saúde pessoal. A pesquisa, publicada nesta quinta-feira, 11/06/2026, no Journal of Internal Medicine, revela que dificuldades como lembrar informações de consultas médicas, ler materiais de saúde padrão e dosar corretamente medicamentos são comuns.
Muitos dos participantes da pesquisa já possuem experiência com o sistema de saúde, alguns lidando com múltiplas doenças crônicas. "Nosso estudo conseguiu realmente dar alguma validação às pessoas", afirma a coautora Abigail Vogeley, pesquisadora da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, em Chicago. "Elas não estão sozinhas em se sentirem confusas com o sistema de saúde e com os medicamentos."
A especialista ressalta a necessidade de melhorias no sistema de saúde para auxiliar os pacientes. "É algo que nós, como sistema de saúde, precisamos melhorar e ajudar as pessoas a lidar com isso, em vez de simplesmente dizer: 'OK, boa sorte'."
O estudo envolveu 942 pacientes de cuidados primários, com idade média de 52 anos, que foram submetidos a uma série de tarefas para avaliar sua alfabetização em saúde – a capacidade de interpretar, compreender e utilizar informações médicas com precisão. As atividades incluíram simular uma consulta médica com um novo diagnóstico, avaliando a retenção de informações, e a leitura de rótulos de frascos de medicamentos fictícios.
Após apenas 10 minutos, os participantes já demonstravam dificuldade em recordar todos os detalhes do diagnóstico recebido. Problemas com prescrições frequentemente surgiam de nuances na linguagem e variações nas práticas de rotulagem, conforme Vogeley. As pessoas buscam informações corretas para cuidar de sua saúde, mas a promoção da alfabetização em saúde é dificultada por consultas médicas curtas e informações pouco claras, segundo o autor sênior, Dr. Michael Wolf, professor de medicina na Universidade Northwestern.
A correta administração dos medicamentos é fundamental para sua eficácia. No entanto, detalhes cruciais como a ingestão com alimentos, a frequência de uso ou a finalidade do tratamento podem se perder na comunicação. Essa falha é agravada quando os pacientes não se sentem à vontade para questionar seus profissionais de saúde, explica a Dra. Jan Carney, presidente do American College of Physicians.
Mal-entendidos nas instruções médicas podem levar a consequências sérias, como a ingestão de doses insuficientes ou excessivas, interações perigosas com outros medicamentos ou um aumento na probabilidade de efeitos colaterais, alertam os pesquisadores. A falta de clareza nas orientações compromete diretamente a dignidade e a autonomia do paciente em seu próprio cuidado.
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