AULA DE ANATOMIA INOVADORA

Professora da UFPE utiliza estudante fisioculturista como modelo em aula de anatomia, gerando repercussão

Professora e estudante fisioculturista em sala de aula de anatomia na UFPE.
Professora usa fisioculturista como modelo em aula de anatomia na UFPE — Foto: Reprodução/Instagram

Decisão da docente Ana Cristina Falcão busca aprimorar o aprendizado prático de alunos de medicina. Vídeo da demonstração viraliza nas redes sociais.

Um método de ensino diferenciado chamou a atenção na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife. Nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a professora Ana Cristina Falcão decidiu inovar em sua aula prática de anatomia para alunos do primeiro período de medicina. Em vez dos tradicionais manequins ou cadáveres, ela convidou o estudante Caio Lima, do terceiro período e praticante de fisioculturismo, para demonstrar a musculatura dos membros superiores. A iniciativa, que visa enriquecer a visualização de estruturas musculares, inserções e movimentos estudados, gerou debate e viralizou nas redes sociais. A escolha de Caio Lima, um atleta natural de 22 anos, permitiu aos estudantes uma compreensão mais aprofundada e realista da anatomia muscular. A aula, que ocorreu no Departamento de Anatomia, conhecido por ter sido cenário de filmagens do longa "O Agente Secreto", contou com a demonstração dos músculos em ação, com o estudante contraindo e exibindo as posturas. O diferencial da aula, segundo a professora, foi a oportunidade de estudar um corpo vivo, em contraste com a abordagem inicial com cadáveres. Ana Cristina Falcão, subchefe do Departamento de Anatomia e coordenadora do projeto de doação de corpos da UFPE, ressaltou que, embora o estudo com cadáveres seja considerado o "padrão ouro", métodos complementares podem aprimorar a formação. Fisioterapeuta de formação, ela leciona para os cursos de medicina, terapia ocupacional e fisioterapia, com foco no sistema locomotor. A ideia de convidar um fisioculturista surgiu de sua própria prática na musculação e se concretizou ao encontrar Caio, que já fora seu aluno. "Eu perguntei se ele queria vir e disse que se ele tivesse vergonha, não viesse, porque eu, claro, não queria expô-lo. Tinha que ser perto de algum campeonato, porque é quando eles ficam mais 'sequinhos' e dá para ver os músculos melhor. Nesse fim de semana ele competiu, e na segunda-feira foi para a aula", explicou a docente sobre o planejamento da atividade. O vídeo curto postado por Caio rapidamente alcançou milhões de visualizações, provocando reações diversas na internet. Muitos estudantes lamentaram não ter tido experiências semelhantes em suas formações. A repercussão destacou a eficácia e a curiosidade geradas pela metodologia, que foge do convencional e busca aproximar a teoria da prática de forma dinâmica, reforçando o impacto positivo na dignidade do aprendizado ao tornar a anatomia mais palpável e compreensível para os futuros profissionais da saúde.

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