INOVAÇÃO NA BIOLOGIA

IA identifica espécies de golfinhos por meio de seus assobiou

Golfinhos em seu habitat natural sendo estudados por tecnologia acústica.
Pesquisa do IO da USP utiliza inteligência artificial para monitorar golfinhos.

Algoritmo analisa padrões sonoros de 6 espécies, prometendo revolucionar o monitoramento ambiental e a preservação de mamíferos marinhos no litoral.

Uma nova tecnologia desenvolvida pelo IO (Instituto Oceanográfico) da USP (Universidade de São Paulo) promete transformar a conservação da vida marinha. Pesquisadores criaram um algoritmo de IA (inteligência artificial) capaz de identificar 6 espécies de golfinhos que habitam o Atlântico Sul Ocidental apenas pela análise de seus “assobios”. A inovação foi detalhada em estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research.

A tecnologia utiliza a bioacústica para superar obstáculos tradicionais, como a necessidade de observação visual em alto-mar. O sistema, treinado com cerca de 1.800 registros sonoros, permite monitorar populações em áreas de difícil acesso ou durante períodos de baixa visibilidade, como à noite.

Para construir a ferramenta, a equipe analisou vocalizações de espécies como golfinhos-comuns (Delphinus delphis), orcas (Orcinus orca), golfinhos-pintados do Atlântico (Stenella frontalis), golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), golfinhos-rotadores (Stenella longirostris) e botos-cinza (Sotalia guianensis). O modelo, baseado no algoritmo Random Forest, apresentou 55% de precisão geral, com destaque para a performance na identificação de golfinhos-comuns, que atingiu 73,6%.

Diogo D. Barcellos, primeiro autor do artigo Whistle Characteristics and Species Classification Algorithm for Delphinids in the Southwestern Atlantic Ocean, explica que a precisão tende a crescer conforme a base de dados for expandida. Segundo o pesquisador, o desafio reside na complexidade dos “sotaques” regionais, já que populações da mesma espécie podem adaptar seus sons conforme o ambiente e a convivência com outros grupos.

O professor Marcos Santos, coordenador do Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos do IO e colaborador do projeto financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), reforça que o monitoramento acústico contínuo é essencial para avaliar a saúde dos ecossistemas. Como ocupam o topo da cadeia alimentar, a presença e o comportamento desses animais servem como indicadores ambientais fundamentais.

Os próximos passos da pesquisa preveem a aplicação do modelo no Litoral Norte paulista, incluindo o Canal de São Sebastião e a Ilha Anchieta. O objetivo é que, no futuro, a ferramenta subsidie gestores de Unidades de Conservação com dados precisos sobre a presença e a sazonalidade desses mamíferos, ajudando a mitigar impactos de atividades humanas, como o tráfego de embarcações e a pesca.

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