RECOMPENSA PERVERSA
Policial Militar investigada por atropelar e arrastar moto por 8 km em RR é promovida
Mariana Evangelista Albuquerque, suspeita de matar Andrea Encarnação da Silva e fugir, ascende de soldado a cabo em solenidade do governo. Defesa alega acordo com família e que caso não tem relação com a função.
A policial militar Mariana Evangelista Albuquerque, investigada pelo atropelamento e morte da vendedora Andrea Encarnação da Silva, de 42 anos, ocorrido em dezembro de 2024 na estrada RR-205, em Boa Vista, foi promovida de soldado a cabo. A cerimônia ocorreu na noite desta quarta-feira, 20 de maio de 2026, em um evento promovido pelo governo de Roraima. A promoção acontece enquanto a policial responde a um processo que apura a suspeita de ter atingido a motocicleta onde Andrea estava com o marido, arrastado o veículo por cerca de 8 quilômetros e fugido sem prestar socorro. A vítima deixou o marido, três filhos e cinco netos.
Segundo a investigação da Polícia Civil, concluída em 16 de outubro de 2024, Mariana dirigia um carro e, ao tentar ultrapassar outro veículo, colidiu com a moto. O marido de Andrea, Jean Lima de Araujo, ficou ferido no acidente e precisou de dois meses de internação. A defesa de Mariana, em nota, informou que ela "se sensibiliza profundamente com a morte da vítima e, reiterando seu compromisso com a reparação dos danos, informa que já firmou acordo integral com a família na esfera cível." A defesa acrescentou que a situação é "de natureza estritamente pessoal, sem qualquer correlação com o cargo de policial militar da Sra. Mariana."
A Polícia Militar informou que a promoção de Mariana ocorreu "em conformidade com os critérios previstos na legislação vigente, que consideram requisitos objetivos estabelecidos para a ascensão funcional." Contudo, diante de informações divergentes sobre procedimentos administrativos instaurados contra a policial, a reportagem questionou a corporação e aguarda esclarecimentos. Em 2024, há 2 anos e 4 meses, a PM afirmou ter instaurado procedimento administrativo. Atualmente, disse que "será instaurado o procedimento administrativo."
Em 14 de maio de 2026, Mariana celebrou um acordo de não persecução penal com a Justiça, homologado pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Cleber Gonçalves Filho. Na audiência, ela admitiu voluntariamente ter cometido as infrações. No acordo, a policial comprometeu-se a prestar serviços comunitários por 1 ano e 8 meses, além de manter endereço e telefone atualizados. A vítima Andrea Encarnação da Silva era conhecida por sua dedicação à família, e sua morte deixou um vazio em seus entes queridos, que relataram saudades e dor.
Na época do acidente, Mariana relatou em depoimento que voltava de um lago e que só percebeu a motocicleta presa ao capô após parar no acostamento, alegando não ter retornado ao local por "medo de represálias". A família de Andrea, no entanto, expressou descontentamento com o acordo proposto pelo Ministério Público de Roraima (MPRR), conforme noticiado anteriormente.
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