PATRIMÔNIO EM RISCO

Ação judicial cobra preservação da Casa Grande do Engenho Guaporé

Fachada deteriorada da Casa Grande do Engenho Guaporé cercada por vegetação.
Casa Grande do Engenho Guaporé sofre com o abandono e a falta de manutenção do poder público.

Estado e Fundação José Augusto enfrentam impasse jurídico sobre o casarão histórico, alvo de depredação e abandono em Ceará-Mirim.

Uma ação popular movida em 04/04/2022 tenta reverter o estado de abandono da Casa Grande do Engenho Guaporé, em Ceará-Mirim. O autor da medida, o ativista cultural Gláucio Tavares, busca obrigar o Estado e a Fundação José Augusto a restaurarem o imóvel, que sofre com a degradação estrutural e saques frequentes. A relevância da causa reside na proteção de um símbolo da memória potiguar, cujo tombamento estadual desde 1988 não foi suficiente para impedir a ruína de suas instalações.

O casarão, erguido em meados do século XIX, foi residência de Manuel Varela do Nascimento e reflete o auge do ciclo açucareiro no Rio Grande do Norte. O que antes funcionou como o Museu Nilo Pereira, um espaço de difusão histórica, hoje apresenta vigas expostas, acúmulo de lixo e infiltrações graves. A situação de vulnerabilidade, que afeta a identidade cultural da região, motivou o processo judicial, atualmente em fase de conciliação.

Em audiência realizada na segunda-feira (11/08), a Fundação José Augusto comprometeu-se a realizar uma vistoria técnica e apresentar um parecer até 30/09. O imbróglio jurídico ganha complexidade com a questão da posse: o Estado alega que o contrato de comodato, firmado em 1977, perdeu a vigência após a venda do imóvel ao grupo do empresário Manuel Dias Branco Neto, proprietário atual que ainda não se manifestou sobre o caso.

Para a população local, a preservação do prédio é um resgate necessário. Com o fechamento do museu e o desvio de parte do acervo para a Pinacoteca do Estado, a comunidade perdeu não apenas um centro de visitação, mas um elo direto com sua formação social. Enquanto a perícia não é concluída, a estrutura segue à mercê do tempo e da ação de vândalos, aguardando um desfecho que devolva dignidade ao casarão.

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