CARNE MAIS CARA

Picanha e filé-mignon puxam alta nos preços da carne bovina, com perspectivas de mais aumentos até 2026

Carne bovina sendo preparada em um churrasco.
UE oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

Em maio, cortes nobres como filé-mignon e picanha registraram as maiores altas. Especialistas apontam redução na oferta e demanda aquecida, inclusive com a volta da China ao mercado, como fatores de pressão.

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A queda temporária no ritmo de compras da China pode trazer um alívio pontual para o bolso do consumidor brasileiro, mas a tendência aponta para uma nova escalada nos preços da carne bovina até o fim de 2026. A pressão inflacionária é alimentada por uma combinação de fatores que incluem os impactos do fenômeno El Niño, a crescente demanda nos Estados Unidos e o retorno da China ao mercado brasileiro, segundo análises de Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado. Nesta quarta-feira, 24/06/2026, o cenário já demonstra os efeitos dessa dinâmica no mercado.

Em maio deste ano, todos os cortes de carne bovina apresentaram elevação de preço para o consumidor. O filé-mignon liderou a alta com 4,4%, seguido pela picanha com 3,9% e o peito, com 3%. No acumulado de 2026, o peito já registra uma valorização de 13,6%, enquanto a picanha subiu 9,3% e a capa de filé, 11,8%.

A redução na oferta no mercado interno tem sido o principal impulsionador dos preços, superando até mesmo o impacto da demanda, mesmo em períodos de maior consumo como a Copa. Fernando Iglesias observa que o baixo poder de compra do brasileiro e o alto endividamento têm sido agravados por fatores como os jogos de apostas, que retiram dinheiro de circulação e afetam o consumo de itens básicos.

Um relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA reforça que o ritmo acelerado das exportações tem sido o principal fator de pressão. Apesar de uma oferta de gado ligeiramente maior que no ano anterior, a demanda externa absorveu bem a produção. De janeiro a maio de 2026, os embarques para a China cresceram 24% em comparação com o mesmo período de 2025, respondendo por 51% do total exportado.

As projeções da Safras & Mercado indicam que o Brasil atingirá 98% da cota de exportação para a China até o final de junho, deixando pouco espaço para exportações sem tarifas adicionais em julho. Essa ausência temporária da China deve ter um efeito negativo nos preços da arroba, mas, no mercado doméstico, o aumento da disponibilidade de carne poderá auxiliar na contenção dos preços internos nesse período.

Contudo, o último trimestre do ano é visto com preocupação. A expectativa é de uma demanda aquecida no Brasil, nos EUA e a retomada das compras chinesas. Somado a isso, o El Niño tende a reduzir a oferta de gado a pasto. "Em linhas gerais, vamos ter um quadro de restrição de oferta com uma demanda muito aquecida. Ou seja, os preços tendem a subir bastante", prevê Iglesias.

No que tange à União Europeia, que representa apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina, o impacto tende a ser mais simbólico do que de perda de volume. Em 3 de setembro, entra em vigor a decisão da UE de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco, por não comprovar o cumprimento de exigências sobre o uso de substâncias na produção animal. Essa medida, embora afete a imagem do país, não deve impactar significativamente os volumes exportados em comparação com outros mercados.

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