OPERAÇÃO SEM FREIOS

PF mira Banco Master, e Zema critica silêncio de Lula sobre PT

PF mira Banco Master, e Zema critica silêncio de Lula sobre PT

Ação da Polícia Federal bloqueia R$ 18,85 milhões e atinge Ciro Nogueira. Ex-ministro de Bolsonaro é proibido de contatar investigados, e irmão usará tornozeleira.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, 07/05/2026, a quinta fase da Operação Compliance Zero, intensificando a investigação sobre crimes financeiros ligados ao antigo Banco Master e a Daniel Vorcaro. No mesmo dia, o pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), utilizou suas redes sociais para criticar veementemente o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos alvos da ação, e questionar o "silêncio" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo envolvimento do Partido dos Trabalhadores no esquema. A operação, que incluiu mandados de busca, apreensão e uma prisão temporária, além do bloqueio de bens milionários, ressalta a urgência da transparência na administração pública e o peso da justiça na dignidade dos cidadãos e na credibilidade das instituições.

Em vídeo publicado, Zema classificou a operação como a "ponta do iceberg" e "apenas os primeiros capítulos de uma longa novela", fazendo referência a possíveis novos desdobramentos. O político mineiro também comentou sobre o caso Master, que, segundo ele, envolveria um grande número de nomes, justificando o que considerou ser a "calmaria" de Lula. "Nós estamos vendo aí a cada dia um número maior de pessoas envolvidas e muita gente tentando barrar essas investigações, e não podemos, que seja investigado", declarou Zema, adicionando que o "presidente tá lá caladinho também, com certeza, porque tem muita gente do PT envolvida". Ele encerrou seu pronunciamento com a expressão popular: "Se gritar pega ladrão…", conforme postagem em sua conta oficial no X (antigo Twitter).

A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira, investiga crimes relacionados ao antigo Banco Master e a Daniel Vorcaro. O senador Ciro Nogueira foi apontado pela Polícia Federal como o destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que teria utilizado seu mandato parlamentar a favor de Vorcaro. Como consequência imediata, o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) está proibido de entrar em contato com outros investigados e testemunhas do caso.

O irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, também foi alvo da operação e recebeu medidas cautelares, incluindo a obrigação de usar tornozeleira eletrônica, entregar seu passaporte e não se comunicar com outros envolvidos. Além disso, Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro, foi preso temporariamente. A Polícia Federal o descreve como o operador financeiro de Vorcaro, responsável pela ligação entre as decisões estratégicas e a execução material das movimentações financeiras e societárias.

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão, além da prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A ação resultou no bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. Essas medidas, que afetam diretamente a liberdade de ir e vir e o direito à propriedade, sublinham a seriedade das acusações e o rigor da lei na apuração de desvios.

Em nota oficial, a defesa de Ciro Nogueira repudiou a operação e afirmou que o senador "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados". Os advogados informaram que o parlamentar está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. A CNN Brasil segue tentando contato com os demais alvos da operação para obter seus posicionamentos. As informações são de Elijonas Maia, da CNN Brasil, em Brasília.

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