CONTROLE DE RECURSOS

STF proíbe que presidentes de partidos indiquem emendas parlamentares

Ministro Flávio Dino durante sessão no STF.
Ministro Flávio Dino, do STF, reforça necessidade de transparência nas emendas parlamentares.

A decisão de Flávio Dino impede que dirigentes partidários interfiram na destinação de verbas, reforçando a transparência e a competência exclusiva de congressistas.

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a Câmara e o Senado passem a rejeitar formalmente qualquer indicação de emenda parlamentar atribuída a presidentes de partidos. A medida foi oficializada após o magistrado colher o posicionamento de 21 legendas com representação no Congresso, que negaram a existência de poder decisório das cúpulas partidárias sobre a destinação de verbas públicas.

A decisão, que atinge a estrutura de gestão de recursos do Poder Legislativo, visa garantir que a alocação de verbas seja um ato transparente e rastreável. Segundo o magistrado, qualquer ofício ou planilha que atribua influência a dirigentes partidários deve ser considerado juridicamente inválido, sob pena de responsabilização disciplinar, civil e penal.

O movimento de apuração teve início em julho, motivado por declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A investigação buscou esclarecer se lideranças estariam, na prática, assumindo o papel de distribuidores de recursos, uma competência constitucional reservada exclusivamente aos parlamentares. Dezenove siglas apresentaram respostas inicialmente, enquanto Solidariedade e Podemos enviaram suas manifestações na segunda-feira (24/08).

Ao se explicarem perante o Supremo, as legendas negaram interferência direta das direções na partilha de emendas. O Solidariedade esclareceu que as indicações feitas por seu presidente, o deputado federal Paulinho da Força, são inerentes ao seu exercício como parlamentar, não havendo confusão com a gestão partidária. O Podemos reiterou a inexistência de cotas ou listas de beneficiários controladas pela presidência da sigla.

O material coletado será remetido à PF (Polícia Federal) para auxiliar em investigações em curso sobre eventuais irregularidades. A decisão reafirma um entendimento estabelecido por Dino em dezembro de 2024, ao enfatizar que não existe suporte legal para a figura das “emendas de líder”. O comando foi direcionado ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para que orientem seus órgãos técnicos sobre a proibição imediata.

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