INVESTIGAÇÃO ALCANA SENADOR

PF apreende dólares, euros e relógios em endereços de Jaques Wagner

Foto de dinheiro em espécie (dólares e euros) e relógios de luxo apreendidos pela PF.
Material apreendido pela Polícia Federal em endereços ligados ao senador Jaques Wagner.

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 480 mil em espécie, além de 13 relógios, em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Decisão é passível de recurso.

Na última quinta-feira, 18 de junho de 2026, a Polícia Federal decidiu apreender dólares, euros e relógios em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA). A decisão, tomada durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, visa coletar evidências sobre supostas vantagens econômicas indevidas recebidas pelo parlamentar. A investigação é relevante pois apura o uso indevido de cargos públicos e o potencial desvio de recursos, impactando diretamente a confiança na integridade de representantes eleitos.

A corporação recolheu cerca de 55 mil dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 284,1 mil, e 33 mil euros, cerca de R$ 196,3 mil, em espécie. Além do dinheiro, 13 relógios de alto valor foram apreendidos. O montante em espécie foi encontrado no quarto de um hotel na capital federal, onde o senador costuma se hospedar.

A investigação aponta indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas de gestores do Banco Master, com destaque para o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco que foi liquidado. Entre as supostas vantagens estão o uso gratuito de jatos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, ingressos para shows internacionais, pagamentos a uma empresa familiar do senador e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.

O imóvel em questão, um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador (BA), é considerado o item de maior relevância pela PF. Registros indicam que, em novembro de 2024, o senador teria repassado o contato de um gerente da construtora responsável ao sócio do Banco Master, informando que a unidade custava R$ 2,45 milhões. A apuração busca determinar se a aquisição do imóvel ocorreu por meio de estruturas societárias e financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado, o que levantaria sérias questões sobre a ética na movimentação de recursos.

Apesar da deflagração da operação e dos questionamentos levantados, o presidente Lula (PT) ainda não comentou as investigações que envolvem o líder do seu partido na Casa Alta. Em Belo Horizonte (MG), nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, durante um evento para anunciar investimentos no Hospital Luxemburgo, o presidente, ao ser questionado sobre a operação, apenas acenou um "joia" e seguiu adiante, sem confirmar se Jaques Wagner manterá sua posição de liderança.

Em nota oficial, o senador Jaques Wagner esclareceu que não é réu, não foi denunciado e nem acusado em qualquer processo relacionado aos fatos investigados. Ele afirma acompanhar as investigações com tranquilidade e confiança. O parlamentar nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira. Sobre o apartamento em Salvador, ele ressalta que o imóvel jamais integrou seu patrimônio. Quanto aos valores em espécie apreendidos, a assessoria informou que se tratam de diárias legais, devidamente declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. O senador reiterou sua total disposição para prestar quaisquer esclarecimentos às autoridades, confiante de que a verdade prevalecerá.

A decisão da PF de apreender os bens é preliminar e cabe recurso.

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