DECISÃO JUDICIAL GRAVE
Justiça torna réu cirurgião plástico Leandro Fuchs por crimes contra pacientes no RS
Médico responde por estelionato e falsidade ideológica; 97 inquéritos investigam sequelas físicas e psicológicas deixadas em dezenas de mulheres.
A Justiça aceitou as sete primeiras denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra o cirurgião plástico Leandro Fuchs, tornando-o réu em uma série de processos criminais no Rio Grande do Sul. A decisão, que marca um passo decisivo na responsabilização jurídica do médico, fundamenta-se em acusações de estelionato, falsidade ideológica, concussão e injúria racial. O caso ganhou visibilidade após denúncias reportadas pelo RBS Notícias no início de 2024.
Para muitas mulheres, a busca pelo procedimento estético tornou-se uma trajetória de sofrimento físico e emocional. Karina Machado Campello, uma das pacientes, relata que as intervenções deixaram marcas definitivas, impedindo-a de realizar atividades básicas e causando dores constantes. "Me sinto como se fosse um lixo", desabafa, ao mencionar que já investiu mais de R$ 50 mil em tratamentos para tentar corrigir os danos sofridos.
A complexidade do caso é evidenciada pelo volume de inquéritos abertos: são 97 investigações instauradas. Dados apontam que, de 727 cirurgias analisadas pela Polícia Civil, mais de 66% exigiram algum tipo de reparação. Além da esfera criminal, cerca de 80 ações cíveis foram movidas contra o profissional, buscando indenizações por danos morais e ressarcimento pelos valores pagos, visto que muitas pacientes enfrentam sequelas severas e o comprometimento de economias de uma vida.
Um dos pontos cruciais da investigação policial revelou que, em diversos momentos, Leandro Fuchs não esteve presente nas salas cirúrgicas durante os procedimentos sob sua responsabilidade, prática que teria sido delegada a residentes. A conclusão baseou-se no cruzamento de dados de telefonia móvel e registros de câmeras de segurança do Hospital Ernesto Dornelles.
Embora a Justiça tenha proibido o cirurgião de realizar novas intervenções, ele mantém o direito a realizar consultas. Enquanto isso, o Ministério Público segue analisando outros 32 casos que podem virar novas denúncias. A defesa de Leandro Fuchs afirma que os processos correm sob sigilo e que a inocência do médico será demonstrada no decorrer da instrução penal.
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