CORTES EM RENOVÁVEIS

ONS corta volume de energia eólica e solar equivalente a Itaipu Binacional no Nordeste

Representação gráfica de linhas de energia com alertas de restrição.
A restrição na geração de energia renovável no Nordeste atinge picos expressivos, comparáveis à capacidade de grandes usinas.

No domingo, 28 de julho de 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou a redução de 14.278 MW na geração eólica e solar no Nordeste, montante comparável à capacidade instalada da usina de Itaipu Binacional.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou neste domingo, 28 de julho de 2026, níveis expressivos de restrição à geração de energia renovável no Sistema Interligado Nacional (SIN). Conhecido pelo termo técnico “curtailment”, o corte no Nordeste atingiu um pico de 14.278 MW ao longo do dia, conforme o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO). Esta situação mantém a região como epicentro das limitações operacionais enfrentadas pelo sistema elétrico brasileiro.

O volume cortado no Nordeste se equipara à capacidade instalada da Itaipu Binacional, uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo. As restrições ocorreram de forma intermitente ao longo do dia, com períodos entre 0h e 17h49 e novamente entre 18h46 e 23h59. Os motivos apontados pelo ONS foram o controle de desequilíbrios regionais e intervenções para manter a estabilidade da frequência do sistema elétrico.

Em comparação, os outros submercados apresentaram volumes de restrição significativamente menores. No Sudeste/Centro-Oeste, o pico de corte foi de 645 MW, entre 6h25 e 16h45, exclusivamente por controle de frequência. No Sul, o valor máximo atingiu 203 MW, no mesmo período e pela mesma razão. Já na região Norte, o ONS reportou limitações entre 6h25 e 15h46, sem especificar um valor máximo, também em função do controle de frequência.

Apesar das restrições, o Nordeste permaneceu como o principal centro de geração de energia renovável do país. No balanço energético diário, a região produziu 13.365 MW médios de energia eólica e 2.785 MW médios de geração solar. Essa produção elevada, diante de uma carga de 11.994 MW médios no submercado, sublinha a necessidade de escoar a energia excedente para outras áreas do Brasil.

O “curtailment” se configura como um dos maiores desafios para a expansão das fontes renováveis no Brasil, afetando a atratividade de investimentos no setor. A prática consiste na redução ou interrupção da geração por parques eólicos e solares, por determinação do ONS, mesmo em condições favoráveis de vento ou sol. Essas ações visam garantir a segurança do sistema elétrico ou contornar limitações na rede de transmissão.

Os motivos para a ocorrência desses cortes são variados. Incluem a falta de infraestrutura de transmissão adequada, como linhas danificadas ou com obras atrasadas — nestes casos, o gerador pode ter direito a ressarcimento. Outras causas são o atingimento do limite de capacidade das linhas de transmissão, impedindo o escoamento da energia, ou o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos cenários, não há previsão de compensação financeira.

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