SEGURANÇA ENERGÉTICA NACIONAL

ONS projeta risco de insuficiência de potência no Brasil a partir de 2027

Equipamentos de uma subestação de energia elétrica em operação.
Subestação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Projeções do ONS indicam que a oferta de energia será insuficiente para atender picos de consumo a partir de 2027; órgão defende leilões anuais de capacidade.

O Brasil enfrenta o risco iminente de não possuir potência suficiente para atender à demanda de energia elétrica durante picos de consumo a partir de 2027, conforme apontam as projeções do PEN (Plano da Operação Energética 2026-2030), elaborado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O alerta, divulgado no sábado, 11/07/2026, é um indicativo crítico para o planejamento do país, visando evitar falhas no fornecimento que poderiam impactar diretamente a rotina de milhões de brasileiros e a estabilidade da infraestrutura nacional.

Para mitigar esse cenário, o ONS recomenda ao governo a implementação de leilões anuais de capacidade. O objetivo é garantir a segurança da rede elétrica, proporcionando estabilidade imediata ao fornecimento, independentemente das condições meteorológicas ou do horário. Documento publicado em 10 de julho de 2026 pelo ONS detalha a capacidade do SIN (Sistema Interligado Nacional) frente aos critérios estabelecidos pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e pelo MME (Ministério de Minas e Energia).

Embora o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) realizado em março de 2026 tenha contratado quase 20 GW por R$ 515 bilhões, a oferta é considerada insuficiente pelo Operador para cobrir cenários de alto consumo. O risco se acentua nos períodos de "ponta", quando a demanda aumenta no fim da tarde e início da noite, exatamente no momento em que a geração solar e eólica reduz sua produtividade.

A situação é agravada pela insegurança jurídica que paira sobre o setor. O LRCap de 2026 é alvo de questionamentos na Justiça Federal e no TCU (Tribunal de Contas da União), que analisam pedidos de anulação dos resultados. O ONS enfatiza que, caso as usinas contratadas sejam retiradas do sistema devido a decisões judiciais, o país sofreria violações imediatas de suprimento em todos os subsistemas a partir de 2028.

Mesmo sem a anulação, o histórico de atrasos em obras de termelétricas — onde apenas 10% dos empreendimentos cumprem rigorosamente os cronogramas — gera apreensão. Projetos de atraso sugerem uma redução de oferta de 3,6 GW em outubro de 2028 e de 1,9 GW a partir de agosto de 2029, mantendo o país em alerta constante até 2030.

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