IMPACTO NO SIN

Jogos do Brasil na Copa provocaram corte de 50 GWh de energia renovável

Painéis solares e torres eólicas em operação no Brasil.
Levantamento aponta que restrições de energia foram mais intensas durante partidas diurnas da seleção.

As partidas da seleção reduziram o consumo nacional e levaram o ONS a restringir a geração para garantir a estabilidade do Sistema Elétrico Nacional.

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou a restrição de 50,4 GWh de geração solar e eólica durante os 10 horas em que a seleção brasileira esteve em campo pela Copa do Mundo da Fifa. A medida, necessária para manter o equilíbrio entre oferta e demanda e preservar a segurança do Sistema Elétrico Nacional, ocorreu ao longo das 5 partidas disputadas pelo time, conforme dados analisados nesta domingo, 12/07/2026.

O volume de energia que as usinas foram impedidas de injetar no sistema, fenômeno conhecido como curtailment, equivale a cerca de 6 horas de produção da usina de Itaipu, com base na média de 8,3 GWh por hora de 2025. Vale ressaltar que não houve desabastecimento para os consumidores, apenas a limitação técnica da produção excedente.

O impacto foi mais acentuado nos JOGOS DIURNOS TIVERAM MAIS CORTES, quando a alteração no comportamento do consumidor — com a redução de atividades comerciais e industriais — coincidiu com períodos de alta produção renovável. A partida contra a Noruega, em 5 de julho de 2026, concentrou 45,3% de todas as restrições registradas no período.

A operação técnica visa evitar que o excesso de eletricidade comprometa a estabilidade da rede, especialmente quando outras fontes, como térmicas inflexíveis, mantêm sua produção mínima. Contudo, essa dinâmica impõe desafios financeiros aos geradores. Como a radiação solar e o vento não podem ser armazenados sem baterias, a energia cortada é perdida. Além disso, as usinas podem arcar com custos extras no MCP (Mercado de Curto Prazo) junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) para honrar contratos de venda, caso o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) seja desfavorável.

A regulamentação sobre o ressarcimento aos geradores por esses cortes ainda é motivo de debate. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) adiou, em 22 de junho de 2026, a votação definitiva sobre as novas diretrizes comerciais para o setor, mantendo o impasse sobre como os prejuízos do curtailment devem ser repartidos entre os agentes do mercado.

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