CUSTOS E ENERGIA
Setor elétrico entra em alerta com riscos do El Niño à geração hidrelétrica
O ONS adota medidas preventivas para preservar reservatórios diante da previsão de seca severa. Especialistas alertam para impacto direto na conta de luz dos brasileiros.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) intensificou o monitoramento e iniciou discussões com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para adotar estratégias preventivas de preservação dos reservatórios de água. A decisão, consolidada em 13/07/2026, visa garantir a segurança energética do país diante da possibilidade de um fenômeno El Niño de intensidade histórica, que ameaça reduzir o volume de chuvas em bacias fundamentais para a geração hidrelétrica brasileira.
A nova atualização da NOA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos projeta 81% de probabilidade de um El Niño de alta intensidade entre outubro e dezembro de 2026, com 97% de chance de persistência até 2027. O risco central reside na redução da pluviosidade em regiões que abrigam hidrelétricas estruturantes, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, no Norte do país.
Como medida de contingência, o ONS prioriza a manutenção de níveis mais elevados nos reservatórios do Sul. O planejamento técnico, conforme detalhado por Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, considera lições da crise hídrica de 2021 e prevê o possível despacho de usinas termelétricas fora da ordem de mérito, além da antecipação da operação de plantas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap).
Embora especialistas como Nivalde de Castro, coordenador-geral do Gesel/UFRJ, e o ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana descartem riscos de apagão ou racionamento, o consenso aponta para uma pressão inevitável nas tarifas. O acionamento de bandeiras tarifárias mais onerosas — já sinalizado pela Aneel com a manutenção da bandeira amarela — torna-se um reflexo direto da maior dependência de usinas termelétricas, que possuem custo operacional superior às hidrelétricas.
A situação é agravada por uma mudança estrutural no sistema elétrico, caracterizada pela redução da capacidade de armazenamento de longo prazo. Segundo o Programa Mensal da Operação (PMO), o uso de térmicas já supera o volume habitual para o período. A estabilidade do sistema, portanto, dependerá crucialmente do comportamento climático no Sudeste/Centro-Oeste ao longo dos próximos meses.
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