ALERTA CLIMÁTICO

Oceanos registram temperatura recorde globalmente, aponta Copernicus

Anomalias de temperatura na superfície dos oceanos.
Mapa mostra as anomalias na temperatura da superfície dos oceanos em 28 de junho de 2026. Áreas em vermelho estavam mais quentes que a média de 1991 a 2020. — Foto: Copernicus/ECMWF

Observatório europeu Copernicus confirma novo recorde histórico na temperatura da superfície dos oceanos. Fenômeno pode intensificar eventos climáticos extremos e afetar ecossistemas marinhos.

A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu, no fim de junho, o maior nível já registrado para este período. A constatação, divulgada nesta quarta-feira, 01/07/2026, é de duas análises independentes do observatório europeu Copernicus. Os dados indicam que os mares superaram as marcas observadas na mesma data em 2023 e 2024, sinalizando um avanço preocupante nas tendências de aquecimento.

Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus, a média global alcançou 20,86°C, ligeiramente superior aos 20,83°C registrados nos dois anos anteriores. O Serviço Marinho do mesmo observatório apontou uma temperatura de 21°C, aproximadamente 0,1°C acima das marcas de 2023 e 2024. Essas medições consideram os oceanos fora das regiões polares, abrangendo de 60 graus de latitude Norte a 60 graus de latitude Sul.

Nos últimos três anos, essa vasta área oceânica apresentou temperaturas entre 0,35°C e 0,73°C mais quentes que a média histórica. Em junho, a diferença atingiu o pico para este período do ano, evidenciando a aceleração do aquecimento. O calor intenso registrado no norte do Oceano Pacífico também contribuiu para este recorde.

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial, também é um fator relevante. Ele altera padrões de chuva e temperatura em diversas partes do globo e tende a elevar a temperatura média mundial. As previsões sazonais do Copernicus indicam que o atual El Niño pode atingir uma intensidade sem precedentes em décadas.

Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, alertou para a possibilidade de um novo território climático: "As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, levando novamente a um território desconhecido". Ele acrescentou: "Com as temperaturas dos oceanos nesses níveis e o El Niño no horizonte, provavelmente veremos novos recordes de temperatura nos próximos meses". Ainda não é possível determinar se este recorde de junho será temporário ou se as temperaturas permanecerão elevadas.

O aquecimento dos mares acarreta consequências severas para o planeta. Ele pode desestabilizar padrões de chuva globais, elevar a temperatura geral da atmosfera e impactar drasticamente os ecossistemas marinhos. Águas mais quentes aumentam a evaporação e fornecem mais energia para tempestades, potencializando chuvas extremas, inundações e outros eventos meteorológicos intensos. Além disso, o calor acumulado contribui para a elevação do nível do mar, tanto pela expansão térmica da água quanto pelo derretimento de geleiras e calotas polares.

O boletim também levanta a preocupação com o aumento do risco de ondas de calor marinhas. Estes eventos, que mantêm regiões oceânicas com temperaturas muito acima do normal por períodos prolongados, podem causar mortalidade de corais, alterar a distribuição de espécies marinhas, prejudicar a pesca e afetar diretamente comunidades costeiras. O calor elevado no mar também pode intensificar ondas de calor em áreas litorâneas.

Alicia Pérez-Porro, bióloga marinha do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (Espanha), ressalta a importância vital dos oceanos: "O oceano é uma parte integral do nosso sistema climático. Entender as mudanças pelas quais está passando e acompanhá-las é essencial para prever como elas vão nos afetar no curto, médio e longo prazo". A convergência dos resultados de duas análises independentes do Copernicus reforça a confiabilidade dos dados apresentados.

Gráfico mostrando anomalias na temperatura da superfície dos oceanos.
Mapa mostra as anomalias na temperatura da superfície dos oceanos em 28 de junho de 2026. Áreas em vermelho estavam mais quentes que a média de 1991 a 2020. — Foto: Copernicus/ECMWF
Imagem ilustrando o aquecimento global e seus efeitos.
O aquecimento global está levando a Terra a um ponto crítico, principalmente no Ártico, onde os impactos das mudanças climáticas são ainda mais intensos. — Foto: Kathryn Hansen/NASA

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