ALERTA SOBRE QUEIMADAS

Mudança climática tornou condições para incêndios 20 vezes mais prováveis na Espanha

Bombeiros da Unidade Militar de Emergências combatendo incêndio florestal na Espanha.
Integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) combatem incêndio em La Atalaya, El Tiemblo. Foto: CESAR MANSO/AFP

Estudo internacional aponta que aquecimento global intensificou riscos de fogo florestal; especialistas pedem manejo florestal e redução de combustíveis fósseis.

As condições meteorológicas extremas que impulsionaram grandes incêndios florestais ficaram 20 vezes mais prováveis devido à mudança climática causada pela ação humana. O dado foi consolidado em análise publicada nesta semana, que avaliou os cenários de calor, ventos e escassez de chuva enfrentados pela Espanha e França ao longo de julho de 2026.

A pesquisa, conduzida pela rede World Weather Attribution (WWA), destaca que o aquecimento global alterou significativamente a previsibilidade desses eventos. No centro da Espanha, condições com essa severidade eram esperadas uma vez a cada seis anos; já no sudoeste da França, o intervalo histórico era de 20 anos. Com o planeta cerca de 1,4°C mais quente, a intensidade dos fatores de risco subiu 42% em território espanhol e 46% em solo francês.

"Condições meteorológicas severas para incêndios já não são raras no clima atual", alertam os cientistas. O impacto vai além do dano ambiental: a fumaça resultante compromete a qualidade do ar e coloca em risco a saúde da população, forçando o confinamento de milhares de pessoas em suas residências.

María José Sanz, diretora do Centro Basco de Mudança Climática, ressalta que, além do fator climático, o abandono de terras rurais facilitou o acúmulo de biomassa, criando um combustível natural para o alastramento das chamas. A especialista alerta que tais episódios se consolidaram como parte integrante da nova realidade regional.

Embora o estudo foque em dados meteorológicos, especialistas como Eduardo Rojas Briales, da Universidade Politécnica de Valência, e Víctor Riera, da Fundação Pau Costa, pontuam que o combate eficaz exige uma visão sistêmica. A superação do problema depende de um esforço conjunto que envolva manejo de vegetação, planejamento urbano e, fundamentalmente, a redução acelerada do uso de combustíveis fósseis para mitigar o agravamento climático.

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