ALERTA CLIMÁTICO
El Niño impõe calor intenso e instabilidade climática ao Sudeste
Meteorologistas do Inmet projetam fim de inverno com temperaturas acima da média e pancadas isoladas de chuva. Prefeitura de Belo Horizonte é cobrada por plano de mitigação.
O fenômeno El Niño deverá intensificar o calor e alterar o regime de chuvas no Sudeste brasileiro nos próximos meses, impondo desafios adicionais à infraestrutura urbana e à proteção das populações mais vulneráveis. A avaliação técnica, realizada pelo meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta que o impacto mais notável do fenômeno será a elevação das temperaturas, superando os índices habituais entre o fim do inverno e o início da primavera.
Embora o volume total de precipitações deva permanecer próximo à média climatológica, o padrão de distribuição será modificado. A expectativa é que as chuvas constantes sejam substituídas por tempestades rápidas e intensas, concentradas no fim da tarde e à noite, impulsionadas pelo aquecimento atmosférico.
A meteorologista Anete Fernandes, também do Inmet, reforça que o comportamento climático observado nas últimas semanas no país serve como um prenúncio do que está por vir. O aquecimento anômalo das águas no Oceano Pacífico altera a circulação global, fazendo com que frentes frias fiquem estagnadas na Região Sul, enquanto o Sudeste enfrenta episódios frequentes de calor extremo. Existe, inclusive, o risco de novas ondas de calor similares às registradas em 2023.
Diante do cenário, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) é alvo de cobranças formais. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) recebeu um requerimento da Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana da Câmara de BH, por iniciativa do vereador Helton Júnior (PSD). O documento exige um posicionamento oficial sobre medidas preventivas para proteger cidadãos — especialmente estudantes e usuários de transporte coletivo — contra o calor extremo e a irregularidade das chuvas.
O Executivo municipal tem o prazo de 30 dias para detalhar ações de garantia de acesso à água potável, climatização de espaços públicos e oferta de abrigos. Até o momento, não houve retorno da administração local.
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