DIABETES E CHURRASCO: MITO OU VERDADE?

Nutricionista Bela Clerot desmistifica churrasco para diabéticos, apontando vilões ocultos

Nutricionista Bela Clerot sorrindo em um ambiente de cozinha.
Nutricionista Bela Clerot aconselha sobre o consumo de churrasco para pessoas com diabetes.

Especialista Bela Clerot explica que acompanhamentos e bebidas, e não a carne, são os principais vilões da glicemia em diabéticos. Atenção redobrada para quem usa medicação.

Para indivíduos com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes, a ideia de churrasco frequentemente evoca preocupações com excessos e refeições pesadas. Contudo, a nutricionista Bela Clerot apresenta um novo olhar: esse momento de confraternização pode, sim, ser uma escolha positiva para o organismo, desde que as escolhas sejam feitas com sabedoria. A especialista esclarece que o impacto negativo na glicemia quase nunca é provocado pela carne em si, mas sim pelo conjunto de acompanhamentos e bebidas consumidos na ocasião. O segredo para manter a glicose sob controle reside em focar em proteínas e reduzir o consumo de carboidratos refinados.

A carne é a parte segura: proteínas e saciedade

Diferentemente de alimentos ricos em farinha, amido e açúcar, as proteínas da carne não geram picos rápidos de glicose no sangue. Além disso, a gordura natural presente nas carnes contribui para prolongar a sensação de saciedade, o que pode diminuir a fome entre as refeições. Essa ingestão adequada de proteínas também melhora as respostas corporais à fome, reduzindo o desejo por doces logo após a refeição, um fator importante para quem convive com as variações glicêmicas.

Os perigos dos acompanhamentos e bebidas

Bela Clerot alerta que itens como pão de alho, farofa, maionese com batata, arroz, mandioca, refrigerantes, cerveja e doces são frequentemente os verdadeiros vilões que desorganizam os níveis de glicemia. Muitas vezes, as pessoas aprendem a temer a gordura natural das carnes, negligenciando os impactos mais severos dos carboidratos de rápida absorção e açúcares presentes nesses acompanhamentos.

“As pessoas aprendem a ter medo da gordura natural da carne, mas não do pão de alho, da farofa, da maionese com batata, do refrigerante e da sobremesa. Só que, para quem tem diabetes tipo 2 ou resistência à insulina, geralmente é esse conjunto que mais desorganiza a glicose”, afirma a nutricionista.

Priorizando a "comida de verdade"

A especialista enfatiza que priorizar a "comida de verdade" em detrimento de produtos industrializados, mesmo aqueles com rótulo "fit", é o que realmente favorece a resposta metabólica do paciente. Refeições estruturadas em proteínas, acompanhadas de saladas e vinagrete, trazem maior saciedade e uma sobrecarga glicêmica significativamente menor quando comparadas a pratos ricos em amidos e açúcares. “Entre um prato cheio de pão, arroz, farofa, sobremesa e refrigerante e uma refeição baseada em carne, salada, um vinagrete e água com gás, há muita diferença no impacto no corpo”, exemplifica Bela Clerot.

Atenção redobrada para quem usa medicação

Para que a refeição seja segura, é fundamental que pessoas com diabetes, pré-diabetes ou suspeita de resistência à insulina avaliem o contexto completo, considerando o tipo de acompanhamento, as bebidas escolhidas, a presença de pães e a quantidade total de carboidratos da ocasião. Por fim, Bela Clerot faz um alerta crucial: pacientes que utilizam insulina ou medicamentos específicos para o controle da glicose devem ter atenção redobrada diante de qualquer modificação no padrão alimentar e manter um acompanhamento médico constante. Nenhum ajuste no tratamento de saúde deve ser realizado por conta própria.

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