SAÚDE PÚBLICA GLOBAL

Quase metade da população das Américas convive com doenças neurológicas

Infográfico sobre a incidência de doenças neurológicas nas Américas.
Quase metade da população das Américas convive com pelo menos uma doença neurológica, aponta relatório — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Relatório da Organização Pan-Americana da Saúde aponta que 470 milhões de pessoas sofrem com distúrbios neurológicos no continente; mudanças de hábitos podem prevenir riscos.

Uma parcela expressiva dos habitantes das Américas enfrenta, no cotidiano, os desafios impostos por pelo menos uma doença neurológica. A Organização Pan-Americana da Saúde divulgou os dados desta análise abrangente, revelando um cenário que impacta a qualidade de vida e a funcionalidade de 470 milhões de pessoas em todo o continente.

O levantamento destaca que condições como esclerose múltipla, enxaqueca, AVC, epilepsia, doença de Alzheimer e transtornos do espectro autista não apenas afetam o sistema nervoso central, como comprometem funções vitais como memória, comunicação, movimento e comportamento. A médica Ana Júlia Rezende, que recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla aos 19 anos, relata como a rotina mudou após a descoberta. “Eu acordei um dia e eu sentia como se os meus pés estivessem dentro de um formigueiro”, descreve. Hoje, com acompanhamento, ela prioriza a alimentação e a prática regular de exercícios.

Entre os perfis populacionais, o estudo identifica nuances importantes: enquanto demências como a doença de Alzheimer predominam entre os idosos, a enxaqueca desponta como uma das principais causas de incapacidade entre adolescentes e jovens adultos.

Apesar da alta incidência, a boa notícia trazida pelo documento é o potencial de prevenção por meio de mudanças no estilo de vida. A neuroimunologista Juliana Santiago enfatiza a importância de intervenções precoces. “O principal caminho é através da alimentação e da atividade física regular. Queremos ter vida com qualidade e, para isso, precisamos cuidar desde agora”, afirma.

Fatores de risco conhecidos, como a hipertensão arterial — ligada diretamente ao AVC — e níveis elevados de glicose no sangue, que influenciam o desenvolvimento da doença de Alzheimer, podem ser mitigados com a redução de sódio e o combate ao consumo de ultraprocessados. Para o psicólogo Denilson Rodrigues Figueiredo, que adotou a caminhada diária como hábito, o exercício vai além do físico: “É um cuidado geral, integral”, conclui.

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