SAÚDE E BEM-ESTAR

Uso de remédios inadequados para insônia atinge 40% dos pacientes, aponta USP

Gráfico ou imagem ilustrativa sobre a pesquisa de insônia da USP.
Pesquisa da USP alerta para os riscos da automedicação em casos de insônia.

Estudo da USP revela que parcela significativa da população recorre a fármacos sem indicação clínica; especialistas reforçam a eficácia da terapia comportamental.

Um levantamento inédito realizado pela Universidade de São Paulo (USP) identificou que quatro em cada dez pessoas recorrem a medicamentos sem indicação técnica para tratar o transtorno de insônia. A pesquisa, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP com 1.158 pacientes, expõe um cenário de automedicação que mascara problemas de saúde subjacentes e pode agravar o quadro clínico dos indivíduos.

O transtorno de insônia, caracterizado pela dificuldade persistente em dormir ou manter o sono, afeta severamente a qualidade de vida. Para muitos, como o professor Nelson Sartori, a busca pelo descanso torna-se uma batalha diária. Sartori, que enfrentou o agravamento das noites em claro em um momento de transição pessoal, exemplifica como a falta de orientação pode levar a caminhos ineficazes. O estudo revela que 60% dos entrevistados já utilizavam algum tipo de medicação, sendo que uma parcela expressiva opta por substâncias que, embora causem sonolência como efeito colateral, não são destinadas ao tratamento da insônia.

Renatha El Rafihi, coordenadora do Laboratório de Psicologia do Sono IP-USP, adverte que o uso indiscriminado desses recursos gera uma falsa sensação de controle. Ao buscar soluções imediatas em farmácias sem prescrição, o paciente adia a investigação de causas fundamentais e a adoção de tratamentos eficazes.

A recomendação médica aponta a terapia cognitiva comportamental como o tratamento de primeira linha para o problema. O foco reside na reeducação de hábitos e na desconstrução de pensamentos ansiosos relacionados ao desempenho do sono, como a crença de que uma noite mal dormida necessariamente arruinará o dia seguinte. A mudança de estilo de vida, incluindo a prática de exercícios físicos e meditação, apresenta resultados sustentáveis, recuperando a dignidade e a saúde de quem, como Nelson Sartori, hoje reconhece que um sono reparador não tem preço.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário