PAÍS EM TRANSIÇÃO
Novo governo enfrenta desafios na saúde para lidar com envelhecimento populacional
Ciclo de debates do Estadão "Brasil Adiante" discute nesta quinta-feira (11) propostas para o sistema de saúde brasileiro diante do aumento da expectativa de vida e da mudança no perfil epidemiológico da população.
O Brasil enfrenta um desafio complexo na área da saúde: a necessidade de reorganizar políticas e financiamento para atender uma população cada vez mais idosa. Enquanto avanços na medicina e melhores condições de vida elevam a expectativa de vida dos brasileiros, o País ainda se mostra despreparado para lidar com as demandas de uma sociedade que envelhece rapidamente. Propostas para reverter esse quadro serão discutidas no segundo encontro do ciclo de debates "Brasil Adiante", promovido pelo Estadão. A discussão ocorrerá nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, no Espaço JK Eventos, em São Paulo.
O envelhecimento populacional deixou de ser uma projeção futura e se tornou uma pressão concreta sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), os planos de saúde, as famílias e a economia. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a expectativa de vida ao nascer atingiu 76,6 anos em 2024, um aumento expressivo em comparação com os 45,5 anos de 1940. Essa conquista, resultado de melhorias em vacinação, saneamento e acesso à saúde, traz consigo uma mudança no perfil epidemiológico: a prevalência de doenças crônicas e a necessidade de tratamentos prolongados e de alto custo, como no caso do câncer e da demência.
Essa transição demográfica impacta diretamente os custos do sistema de saúde. Estudos apontam que a despesa assistencial anual por beneficiário aumenta consideravelmente com a idade. No SUS, o custo médio de internação de um idoso é 30% maior do que o de um adulto jovem. Doenças como o câncer, que já é a segunda causa de morte no País, e a demência, que afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, demandam investimentos crescentes em prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos inovadores, como a terapia com células CAR-T, que pode ultrapassar R$ 2 milhões por paciente.
A estrutura de cuidado para idosos no Brasil ainda é insuficiente. O número de geriatras é drasticamente inferior à demanda, e a disponibilidade de leitos em instituições de longa permanência ou reabilitação tem caído. Além disso, a desigualdade social agrava o cenário, com idosos de menor renda apresentando piores indicadores de saúde e menor acesso a cuidados médicos. Essa realidade exige a adoção de políticas públicas mais eficientes, incluindo o fortalecimento da atenção primária, a ampliação do rastreamento de doenças crônicas, a melhoria da gestão de filas e a negociação de tratamentos de alto custo.
O debate sobre o futuro da saúde no Brasil faz parte da série de eventos "Brasil Adiante", promovida pelo Estadão com o objetivo de apresentar propostas concretas para os desafios do País. O encontro desta quinta-feira, 11 de junho, abordará também a educação, discutindo como preparar os brasileiros para um mercado de trabalho em constante transformação. A programação completa, incluindo painéis com especialistas, pode ser consultada nas plataformas do Estadão.
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