SAÚDE DA MULHER

Fase lútea: entenda por que o ciclo menstrual afeta a autoestima e o humor

Ilustração representativa sobre ciclo menstrual e bem-estar.
Mudanças hormonais na fase lútea podem afetar a autoestima e o bem-estar feminino. Foto: Getty Images via BBC

Oscilações hormonais na segunda metade do ciclo podem provocar inchaço, fadiga e alterações emocionais. Especialistas apontam que sintomas intensos exigem atenção médica.

A percepção de mudanças físicas e emocionais durante a segunda metade do ciclo menstrual tem ganhado visibilidade nas redes sociais, onde milhares de mulheres compartilham relatos sobre os chamados 'luteal uglies', ou a 'feiura da fase lútea'. O fenômeno, que ocorre no período entre a ovulação e a chegada da menstruação, reflete transformações biológicas profundas que afetam diretamente a rotina e a autoestima de muitas pessoas.

Essa fase, caracterizada por uma queda acentuada nos níveis de estrogênio, desencadeia reações sistêmicas no organismo. Segundo Louise Newson, clínica geral e especialista em hormônios femininos, essas flutuações hormonais impactam desde a textura da pele e a retenção de líquidos até a cognição e o estado emocional.

Relatos de mulheres como Elena Spaven, de 25 anos, ilustram os efeitos práticos desse período. Elena descreve sintomas que variam de inchaço generalizado e dores mamárias a uma sensação de letargia e dificuldade de concentração, fatores que frequentemente interferem no desempenho profissional e social.

A ciência confirma que, nos dias que antecedem a menstruação, o aumento da progesterona e a queda do estrogênio estimulam a produção de oleosidade e a retenção hídrica, como explica Helen O'Neill, professora associada de genética reprodutiva e molecular da University College London. Esse desequilíbrio pode gerar episódios de desânimo, ansiedade e até quadros de desespero, muitas vezes minimizados socialmente como apenas TPM.

Para lidar com o impacto, especialistas recomendam foco na hidratação, redução de alimentos ultraprocessados e monitoramento da rotina. Mais importante, contudo, é a busca por auxílio profissional. Louise Newson reforça que sintomas que prejudicam a qualidade de vida não devem ser ignorados, incentivando pacientes a insistirem por um atendimento médico que valide seu sofrimento e ofereça suporte adequado.

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