CLIMA EM RISCO

NOAA: El Niño tem 98% de chance e trará impactos severos ao clima

Paisagem de lama árida com árvore quebrada ao pôr do sol, gerada por inteligência artificial.
Imagem ilustrativa de paisagem árida, simulando impactos climáticos.

Impactos severos são esperados no Sul, Norte e Nordeste do Brasil. Probabilidade aumenta para 82% entre maio e julho; persistência até 2027 é de 96%.

Uma atualização crítica de projeção climática, divulgada nesta sábado, 16 de maio de 2026, pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, vinculado à Agência de Oceanos e Atmosfera (NOAA), aponta para um cenário alarmante. Em um boletim emitido na última quinta-feira, 14 de maio de 2026, a agência elevou drasticamente para 98% a probabilidade de um novo El Niño se formar e persistir até o final do ano. Esta revisão, que indica um fenômeno de robusta intensidade, é de suma importância, pois os impactos esperados prometem transformar significativamente os padrões climáticos globais, afetando diretamente a vida de milhões de pessoas com riscos de secas, inundações e ondas de calor em diversas regiões.

A nova projeção do CPC/NOAA representa um aumento considerável em relação à previsão anterior, de abril, quando a probabilidade de formação do El Niño neste mesmo trimestre era de 61%. Agora, a chance de o fenômeno se estabelecer entre o fim de maio e julho já alcança 82%. Especialistas alertam, inclusive, para a possibilidade de um "super El Niño", um evento de força excepcional.

O fenômeno deve se consolidar de forma muito robusta a partir do segundo semestre de 2026. Entre os trimestres de agosto-setembro-outubro, setembro-outubro-novembro e outubro-novembro-dezembro, a probabilidade de El Niño é de praticamente 98%, eliminando as chances de neutralidade climática ou retorno de La Niña. Além disso, a Agência projeta uma alta probabilidade de 96% de que o El Niño persista até fevereiro de 2027, indicando um período prolongado de influência climática.

Os primeiros efeitos do El Niño já podem ser percebidos durante o outono e o inverno, mas a intensificação dos impactos ocorrerá principalmente na primavera e no início do verão. Este fenômeno é caracterizado pelo aquecimento de 0,5ºC ou mais nas águas do Oceano Pacífico Equatorial. Embora seja um evento natural, que se manifesta em ciclos de dois a sete anos e dura, em média, um ano, o aquecimento global tem contribuído para torná-lo mais frequente e mais intenso, gerando preocupações adicionais sobre o futuro climático do planeta.

No Brasil, os efeitos são geograficamente distintos e de grande impacto social e econômico. O Sul do país enfrenta historicamente um aumento no risco de chuvas acima da média, temporais, enchentes e cheias de rios, ameaçando comunidades e infraestruturas. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste costumam encarar uma drástica redução de chuvas, calor mais intenso e maior perigo de seca e queimadas, o que afeta a agricultura, o abastecimento de água e a saúde pública.

A tendência reforça um cenário para o segundo semestre de 2026 de forte influência do Pacífico sobre o clima da América do Sul. A região central do Brasil, por exemplo, pode esperar ondas de calor persistentes, enquanto o sul da Amazônia deve registrar uma elevação nas queimadas. Simultaneamente, o Sul do Brasil, a Argentina e o Uruguai devem se preparar para tempestades frequentes e cheias de rios, um panorama que exige atenção e preparo de autoridades e cidadãos.

Fonte: Estadão Conteúdo.

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