CIÊNCIA NO SERTÃO

Univasf apresenta soluções para restauração da Caatinga na COP17

Professor Renato Garcia Rodrigues palestrando sobre restauração da Caatinga na COP17.
Renato Garcia Rodrigues durante participação nos debates da COP17, em Ulaanbaatar.

Pesquisadores da Univasf levam estratégias de combate à desertificação e manejo de espécies invasoras desenvolvidas em Cabrobó para o Pavilhão Brasil na Mongólia.

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) apresenta resultados de quase duas décadas de monitoramento ambiental e recuperação de biomas durante a COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia. A participação da instituição visa conectar as experiências práticas de restauração da Caatinga, consolidadas no Sertão de Pernambuco, com as metas globais de combate à desertificação e preservação da biodiversidade.

No centro dos debates, o professor Renato Garcia Rodrigues destacou a atuação da universidade no Núcleo de Desertificação de Cabrobó. O trabalho, que teve início em 2008, combina pesquisa acadêmica com a execução de estratégias de manejo voltadas ao Projeto de Integração do Rio São Francisco, incluindo o controle de espécies invasoras, como a algaroba, e o reflorestamento de áreas degradadas.

Durante painéis internacionais, a equipe da Univasf demonstrou como o manejo de espécies exóticas pode ser realizado sem comprometer a estabilidade do solo. Em vez de erradicar a vegetação de forma abrupta, os pesquisadores utilizam o sombreado das próprias plantas invasoras para proteger a microbiota do terreno contra o aumento de temperatura, permitindo que a vegetação nativa se restabeleça gradualmente em áreas protegidas.

O rigor científico aplicado nestes anos resultou na catalogação de 1.630 espécies da flora regional e na descoberta de dez espécies inéditas, fundamentando a criação de unidades de conservação. O exemplo mais emblemático dessa trajetória é a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serras Catingueiras, em 2019, que preserva mais de 20 mil hectares de ecossistemas essenciais para o equilíbrio hídrico e climático do Sertão.

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