ALERTA GLOBAL

Navio com surto de hantavírus chega a Roterdã

Navio MV Hondius em Roterdã após surto de hantavírus com mortes.
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus. — Foto: AFP

Três mortes confirmadas e quarentena para tripulação e profissionais de saúde após desembarque.

Um navio de cruzeiro, palco de um surto de hantavírus que resultou em três mortes, chegou ao porto de Roterdã nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. A embarcação, o MV Hondius, iniciou um processo de quarentena para os 27 membros da tripulação e profissionais de saúde a bordo, além de uma desinfecção rigorosa. A medida visa conter a propagação do vírus e garantir a segurança sanitária após uma mobilização internacional envolvendo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE).

De bandeira holandesa, o navio de luxo transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 países. O foco de hantavírus surgiu e foi relatado pela primeira vez em 2 de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três passageiros perderam a vida: um casal de neerlandeses e uma alemã, cujas identidades não foram divulgadas, mas cujo impacto se estende às famílias e à comunidade global.

A embarcação da Oceanwide Expeditions ficou retida ao largo de Cabo Verde. Em um esforço coordenado, a Espanha aceitou, a pedido da OMS e da União Europeia (UE), que parte dos passageiros desembarcasse nas Ilhas Canárias. Após o desembarque inicial, o navio seguiu para Roterdã com uma tripulação reduzida e dois profissionais de saúde, indicando a seriedade da situação.

Para mitigar riscos, os tripulantes, os passageiros que já haviam deixado o navio e todas as pessoas que tiveram contato com eles foram colocados em quarentena em diversos países ao redor do mundo. Esta ação preventiva ressalta a importância da cooperação global para proteger a saúde pública diante de ameaças infecciosas.

Na sexta-feira anterior, a OMS revisou seu número de casos positivos, reduzindo-o de 11 para 10 após um americano testar negativo. Em 15 de maio, a organização contabilizou 10 casos – oito confirmados e dois prováveis –, incluindo as três mortes. A vigilância epidemiológica global permanece atenta.

No sábado, o governo da Colúmbia Britânica declarou que um canadense, passageiro do MV Hondius, também testou positivo para a doença. A OMS informou no domingo, 17 de maio de 2026, que aguarda uma atualização oficial desses números. Se o caso for confirmado, o total de pessoas afetadas passará para 11, evidenciando a fluidez e a complexidade na contagem e monitoramento da doença.

Paralelamente a esta crise, a OMS inicia nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, sua Assembleia anual, que se estenderá até sábado, em Genebra. A pauta oficial inclui discussões sobre o tratado sobre pandemias e as retiradas dos Estados Unidos e da Argentina. Os surtos de hantavírus e ebola, inicialmente ausentes da agenda, devem entrar nas discussões desta 79ª Assembleia, sublinhando a urgência de fortalecer a "arquitetura da saúde global".

A reforma da saúde global, um setor fragmentado com muitas organizações nem sempre atuando em conjunto, está no centro dos debates. Os Estados-membros deverão decidir sobre a criação de um processo formal para essa reorganização. “Entre as questões a examinar está a divisão de responsabilidades entre os níveis global, regional e nacional”, para evitar sobreposições, explicou Helen Clark, copresidente do grupo independente de especialistas para preparação e resposta a pandemias, destacando a necessidade de clareza e eficiência.

No início de maio, divergências bloquearam pontos essenciais do tratado sobre pandemias, como o compartilhamento de insumos farmacêuticos, e as negociações podem ser prorrogadas por um ano. Isso evidencia os desafios diplomáticos e políticos na construção de consensos em questões de saúde pública de alcance global.

A Assembleia Mundial da Saúde ocorre após um ano difícil para a OMS, fragilizada pela decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos da organização e pela redução das contribuições internacionais. Essas ações obrigaram a OMS a cortar orçamento e equipe, afetando sua capacidade de resposta. Contudo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou no fim de abril que a organização está agora "estável e avançando", buscando superar os obstáculos.

Em janeiro, o Conselho Executivo da OMS não tomou uma decisão sobre o pedido de retirada dos Estados Unidos, que estão em atraso no pagamento de suas contribuições obrigatórias à organização – uma condição indispensável para a conclusão formal da saída. Essa indefinição prolonga um cenário de incerteza para a organização.

Os Estados, porém, deverão se pronunciar sobre o pedido de retirada da Argentina, já que o país, apoiado por Israel, apresentou uma resolução. A discussão reflete as complexas dinâmicas geopolíticas que moldam o futuro da saúde global.

“A situação continua frágil, mas eles conseguiram mobilizar a maior parte dos fundos necessários para os próximos dois anos”, afirmou Surie Moon, codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra. Ela enfatizou que a crise do hantavírus ilustra claramente “por que o mundo precisa de uma OMS eficaz, confiável, imparcial e com financiamento seguro”, reiterando a importância vital da instituição em tempos de crise.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário