CRISE HUMANITÁRIA AGUDA

OMS alerta para déficit de recursos no combate ao Ebola no Congo

Profissional de saúde em Bunia, na RDC, utilizando traje de proteção contra o vírus Ebola.
Profissional de saúde com equipamento de proteção individual em Bunia, leste da República Democrática do Congo — Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/Foto de arquivo

Agência internacional arrecadou menos da metade do montante necessário para conter a epidemia na RDC. Cenário aponta para subnotificação de casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, em 14 de julho de 2026, a escassez crítica de verbas destinadas ao enfrentamento do surto de Ebola na República Democrática do Congo. A decisão de tornar público o déficit financeiro foi tomada pela entidade para pressionar a comunidade internacional a manter o apoio financeiro necessário, evitando o colapso dos sistemas de saúde em uma fase decisiva do controle da epidemia.

Até o momento, a organização captou apenas 40% dos US$115 milhões requisitados para conter a cepa Bundibugyo, que carece de vacinas ou tratamentos comprovadamente eficazes. O impacto humano dessa falta de recursos é devastador: dados oficiais contabilizam 1.926 pessoas infectadas e 702 óbitos, embora Chikwe Ihekweazu, chefe do Programa de Emergências de Saúde da OMS, tenha alertado que a subnotificação pode esconder uma realidade até quatro vezes mais grave.

Durante visita à província de Ituri em 14 de julho de 2026, Ihekweazu enfatizou que o controle da doença, que já atingiu duas novas províncias, é uma responsabilidade compartilhada. A necessidade urgente de isolamento e monitoramento de pacientes exige esforços que ultrapassam a capacidade logística e financeira da RDC.

O cenário atual é considerado definitivo em termos de urgência, com riscos crescentes de propagação caso o financiamento não seja ampliado. A OMS compara o desafio a uma maratona, onde a interrupção precoce dos investimentos pode colocar em xeque todos os ganhos humanitários obtidos até agora na região de Bunia e áreas adjacentes.

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