ALERTA NA NUTRIÇÃO

Quatro em cada cinco alimentos infantis são ultraprocessados nos EUA

Variedade de alimentos ultraprocessados em prateleira de supermercado
A pizza é um alimento ultraprocessado comum, mas quase 70% de um supermercado é composto por esse tipo de alimento, segundo especialistas • EvgeniiAnd/iStockphoto/Getty Images

Estudo aponta que a maioria dos produtos voltados para crianças entre 6 e 36 meses descumpre parâmetros da OMS, dificultando escolhas saudáveis para as famílias.

Uma análise minuciosa de 2.783 produtos infantis comercializados em supermercados revelou que 80% desses itens são ultraprocessados. A conclusão foi apresentada no último domingo (26) por pesquisadores durante o encontro anual da Sociedade Americana de Nutrição, com o objetivo de investigar o que realmente compõe a oferta alimentar disponível para os pais durante as compras rotineiras.

O estudo, liderado por Erin Hudson, do Children's Hospital Los Angeles, constatou que metade desses alimentos não atende aos parâmetros nutricionais estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A preocupação central dos especialistas é o impacto direto na formação do paladar infantil: o consumo excessivo de açúcar, sódio e gorduras em uma fase vital do desenvolvimento pode moldar preferências prejudiciais à saúde para toda a vida.

“Descobrimos que os produtos infantis que não atendiam aos padrões da OMS tinham quatro vezes mais probabilidade de serem ultraprocessados”, afirmou Hudson. Entre os itens analisados, destacam-se sachês de frutas, barras de aveia, macarrão pronto e salgadinhos, que muitas vezes substituem alimentos naturais, como vegetais e grãos integrais, na dieta dos pequenos.

Para Marissa Burgermaster, professora na Universidade da Texas em Austin e coautora do estudo, a indústria cria uma falsa percepção de saúde. Ela ressalta que crianças que já conseguem mastigar não necessitam de produtos específicos do corredor infantil, podendo consumir a mesma comida saudável da família, apenas adaptada em textura.

Atualmente, não há uma legislação definitiva que obrigue a rotulagem frontal desses produtos. Embora a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) tenha proposto novas regras de rotulagem em 2025, os alimentos voltados para menores de 4 anos permanecem isentos dessas exigências, deixando a responsabilidade de escolha inteiramente nas mãos dos pais e responsáveis.

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