SANEAMENTO EM NÚMEROS

Natal é a 17ª capital no ranking nacional de saneamento básico

Imagem da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Jaguaribe em Natal.
Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Jaguaribe, em Natal, Rio Grande do Norte.

Levantamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) revela que a capital potiguar alcançou 393,44 pontos em estudo sobre universalização dos serviços. Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Jaguaribe promete avanço.

A capital potiguar ocupa a 17ª posição entre as capitais brasileiras no Ranking Abes da Universalização do Saneamento, um levantamento abrangente realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). A pesquisa analisa o progresso das cidades em direção às metas de saneamento básico estabelecidas pelo Marco Legal, com foco na universalização dos serviços até 2033. Natal acumulou 393,44 pontos, sendo classificada na categoria “Empenho para a Universalização”, que congrega a maioria dos municípios brasileiros analisados no estudo.

No ranking específico das capitais, Natal ficou posicionada aquém de outras capitais como Curitiba, Salvador, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. A análise, que considerou informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e dados do Ministério das Cidades, abrange municípios que representam aproximadamente 80% da população nacional. O objetivo é atingir 99% de cobertura de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) em Natal, Rio Grande do Norte.
ETE Jaguaribe, em Natal, é peça chave para o avanço do saneamento na capital potiguar.

O levantamento aponta que apenas 3,67% dos 2.558 municípios avaliados atingiram a categoria “Rumo à Universalização”, enquanto 13,6% alcançaram “Compromisso com a Universalização”. A maior parte, 73,96% (1.892 municípios), encontra-se em “Empenho para a Universalização”, e 8,76% (224 municípios) seguem em “Primeiros Passos para a Universalização”, a fase mais distante das metas.

A universalização do saneamento básico, especialmente a coleta e o tratamento de esgoto, a gestão de resíduos sólidos e a redução das desigualdades regionais, permanece um desafio para grande parte das cidades brasileiras. A pesquisa avalia indicadores como acesso à rede de água, coleta e tratamento de esgoto, e destinação adequada de resíduos sólidos.

Na comparação entre capitais, Natal obteve 393,44 pontos, situando-se entre Fortaleza (408,84) e Recife (389,98). Entre as capitais nordestinas, a cidade ficou atrás de Salvador, Aracaju, João Pessoa, Maceió e Fortaleza. Curitiba lidera o ranking nacional entre as capitais com 497,53 pontos, seguida por Salvador, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. As capitais das regiões Sul e Sudeste demonstram desempenho médio superior, enquanto Norte e Nordeste enfrentam maiores desafios.

Apesar da posição atual, Natal tem projeção de avanço significativo nos indicadores de esgotamento sanitário com a futura operação da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Professor Cícero Onofre de Andrade Neto, popularmente conhecida como ETE Jaguaribe. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) estima que a unidade ampliará a cobertura de esgotamento sanitário na Zona Norte de Natal de aproximadamente 3% para mais de 90%. A Zona Norte, região mais populosa, concentrava um dos maiores déficits históricos da cidade.

Os investimentos no sistema de esgotamento sanitário de Natal superam R$ 1 bilhão, com a ETE Jaguaribe recebendo um aporte de R$ 280 milhões. A iniciativa visa integrar cerca de 110 mil imóveis cadastrados na região à nova rede coletora, com comunicados já distribuídos para 30 mil residências em maio. A ETE Jaguaribe, equipada com tratamento terciário e tecnologias avançadas como reatores UASB e biodiscos, é considerada uma das estruturas mais modernas do país.

A relação entre saneamento e saúde pública é um ponto crucial destacado pela Abes. Municípios com menor cobertura de saneamento apresentam taxas mais elevadas de internações por doenças como diarreia, hepatite A e cólera. Cidades com saneamento mais avançado registram taxas significativamente menores de internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). O investimento em saneamento, portanto, reflete diretamente na redução de internações e na melhoria da qualidade de vida da população, além de aliviar o sistema de saúde.

O estudo também evidencia a disparidade regional, com o Sudeste apresentando 82,79% de municípios com condições para integrar o ranking, contra apenas 13,11% na Região Norte. A universalização do saneamento no Brasil ainda depende da ampliação dos investimentos, especialmente em esgotamento sanitário e tratamento de esgoto, nas regiões Norte e Nordeste, onde os déficits são mais expressivos.

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