ALERTA NACIONAL

MTE revela: MT é 2º estado com mais mortes por acidentes de trabalho

Gráfico com estatísticas de acidentes e óbitos no ambiente de trabalho no Brasil.
Gráfico ilustrativo de acidentes de trabalho no Brasil. — Foto: Arte/g1

Dados de 2016 a 2025 apontam 134.549 acidentes e 1.257 óbitos em Mato Grosso, o dobro da média nacional de letalidade.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que Mato Grosso ocupa a segunda posição no país em mortes por acidentes de trabalho. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, indicam que cerca de 1 em cada 100 casos no estado resulta em óbito, uma taxa que dobra a média nacional. Este cenário preocupante expõe a vulnerabilidade de milhares de trabalhadores e levanta um duplo alerta para a segurança ocupacional na região.

Entre 2016 e 2025, Mato Grosso registrou 134.549 acidentes e 1.257 óbitos relacionados ao trabalho, destacando-se como um estado de “duplo alerta” por sua alta incidência e elevada mortalidade. A economia local, fortemente baseada no agronegócio, transporte de cargas e construção de infraestrutura, contribui significativamente para este risco ampliado, afetando a dignidade e a vida de incontáveis famílias.

Os dados se baseiam nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do eSocial, fontes oficiais que compilam informações sobre acidentes e doenças ocupacionais. No mesmo período, o Brasil acumulou impressionantes 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de uma perda de mais de 106 milhões de dias de trabalho por afastamentos temporários. Um indicador ainda mais grave são os cerca de 249 milhões de dias debitados, que mensuram o impacto permanente de lesões graves e óbitos na capacidade produtiva e na vida dos trabalhadores.

Saúde lidera acidentes; transporte concentra mortes

A análise por atividade econômica revela um retrato desigual dos riscos ocupacionais em todo o país. O setor de saúde, com destaque para o atendimento hospitalar, lidera em número absoluto, registrando mais de 500 mil acidentes. Esta alta incidência reflete a concentração de trabalhadores e a sobrecarga das equipes, especialmente no período pós-pandemia.

Em contrapartida, o transporte rodoviário de carga desponta como o segmento mais letal do Brasil. De 2016 a 2025, o setor contabilizou 2.601 mortes, apresentando taxas de letalidade muito superiores à média nacional e expondo motoristas a perigos constantes.

Quando o recorte se aprofunda por ocupação, o cenário torna-se ainda mais crítico: enquanto técnicos de enfermagem são os profissionais que mais sofrem acidentes, os motoristas de caminhão lideram as estatísticas de óbitos, com 4.249 mortes em 10 anos — uma média superior a uma morte por dia.

A construção civil também figura entre os setores de alto risco, combinando um elevado número de acidentes com alta mortalidade. Isso é particularmente verdadeiro em atividades como obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial. Neste último caso, o risco é extremo: em obras de montagem industrial, a taxa de incidência atinge 80 mil acidentes a cada 100 mil trabalhadores, evidenciando uma exposição contínua e alarmante ao perigo.

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