FAZENDA ANALISA AGRO

Ministro da Fazenda afirma que inadimplência no agro não é "terra arrasada"

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, falando em evento.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em declaração sobre o cenário do crédito rural.

Dario Durigan, ministro da Fazenda, esclarece que embora a inadimplência tenha subido para 6% no Banco do Brasil, 94% das operações rurais seguem em dia, alertando contra medidas que restrinjam crédito.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 21/05/2026, que a recente alta na inadimplência do agronegócio, que subiu de cerca de 2% para 6% da carteira do BB (Banco do Brasil), não configura um cenário de "terra arrasada". Segundo o governo, 94% das operações do setor continuam com pagamentos em dia, indicando que a maioria dos produtores mantém suas obrigações financeiras.

A declaração surge em um momento crucial de discussões no Congresso Nacional sobre o projeto de renegociação de dívidas rurais (PL 5122/23). A proposta visa oferecer alongamento de prazo, carência ampliada e a criação de um fundo garantidor, medidas destinadas a apoiar produtores com dificuldades financeiras.

A principal preocupação da equipe econômica, segundo Durigan, é evitar que a legislação aprovada beneficie produtores adimplentes, o que poderia gerar um efeito adverso de restrição de crédito no campo. "Nós não podemos deixar um texto ser aprovado no Congresso que pegue toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação, porque nós podemos criar um problema de restrição de crédito", alertou o ministro em entrevista ao Hora H, da CNN Brasil.

Durigan também ressaltou que a limitação generalizada das taxas de juros para o crédito rural pode ter um impacto negativo. Ele argumentou que, ao impor limites muito baixos, como 10% ou 12%, os bancos poderiam se retrair, alegando inviabilidade para conceder crédito. "Se você vier num grande projeto e disser assim: toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio tem que ser limitada a 10%, 12%, o que vai acontecer é um tiro no pé do agronegócio. Os bancos vão dizer: ‘eu não consigo dar crédito nesse patamar, eu não vou dar crédito’", explicou.

O governo demonstra abertura para debater o aumento de prazos, carências e ajustes nas normas do crédito rural, mas defende que o foco deve ser direcionado exclusivamente aos casos de comprovada dificuldade financeira. "É importante a gente não pegar a nossa principal potência econômica, que é o agronegócio, e fazer terra arrasada, porque não é o caso. Agora, com isso, eu não estou dizendo que nós não temos que tratar esse âmbito de agricultores, que é um espaço mais restrito, que de fato tem problema", concluiu.

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