ELEIÇÕES E AGRICULTURA

Lula e Flávio propõem crédito e seguro rural para conter endividamento no campo

Máquina agrícola trabalhando em lavoura brasileira.
Trator em operação no campo: setor busca estabilidade financeira em 2026.

Candidatos ao Planalto divergem sobre reforma agrária e diplomacia, mas convergem na necessidade de ampliar proteção financeira a produtores frente à crise climática.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu adversário na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), definiram em seus planos de governo estratégias para conter o avanço da inadimplência no agronegócio e ampliar o seguro rural. A medida, central para a estabilidade econômica do setor, busca oferecer aos produtores maior segurança contra perdas e capacidade de planejamento a longo prazo.

A urgência da decisão, que impacta diretamente a sobrevivência financeira de milhares de famílias no campo, decorre da deterioração do cenário econômico: a inadimplência entre produtores atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 1,2 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025. O desgaste é alimentado pela alta dos custos de produção, volatilidade nos preços de commodities e restrição ao crédito.

Para mitigar os riscos, Flávio propõe ampliar o seguro rural e utilizar mecanismos de securitização e reorganização de dívidas. O plano do candidato também prevê o aumento da capacidade de armazenamento das safras, visando regular a oferta de alimentos e garantir margens melhores aos produtores.

Lula, por sua vez, aposta no fortalecimento do Plano Safra como o pilar principal. O petista reforçou a edição 2026/2027, lançada em 30/06, que disponibilizou R$ 525 bilhões, e propõe negociar com o setor um novo instrumento de cobertura contra perdas sistêmicas causadas por quebras severas de safra.

O enfrentamento aos eventos climáticos extremos é uma preocupação compartilhada. Diante do impacto do El Niño — fenômeno com 95% de chance de atingir um patamar muito forte no final do ano, segundo a Noaa (Agência Climática Americana) — ambos sugerem planos de adaptação. Enquanto o atual governo foca em um programa de resiliência com irrigação e conservação de solos, Flávio concentra esforços na criação de polos produtivos no Matopiba e no semiárido para minimizar os efeitos de secas prolongadas.

Apesar da convergência no crédito, os candidatos mantêm visões distintas sobre a regularização fundiária. O plano de Flávio prioriza a titulação de pequenos proprietários para facilitar o acesso a empréstimos bancários e garantir a segurança jurídica da propriedade. Já o projeto de Lula amplia a pauta, incluindo o assentamento de famílias, a reforma agrária e a titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais.

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