REAVALIAÇÃO DE EDITAL
Ministério Público questiona edital da Polícia Penal do RN sobre divisão de vagas por gênero
Órgão ministerial pede que Secretaria da Administração do Rio Grande do Norte analise a necessidade de reservar vagas para homens e mulheres no concurso, considerando especificidades do sistema prisional.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou, nesta quinta-feira, 25/06/2026, que a Secretaria Estadual da Administração reavalie o edital do concurso público para o cargo de policial penal. A decisão foi tomada após o órgão identificar a ausência de justificativa detalhada sobre a divisão de vagas por gênero no processo administrativo. A iniciativa é crucial para garantir que a distribuição de oportunidades atenda às demandas operacionais e à dignidade de todos os envolvidos no sistema prisional.
A recomendação surge porque o processo que embasou o certame não apresentou justificativa clara para não reservar ou distribuir vagas entre candidatos homens e mulheres. O MP considera que a análise deve levar em conta dados atuais do sistema penitenciário potiguar e as exigências específicas do trabalho dos policiais penais.
O Ministério Público ressalta que a atividade de policial penal envolve procedimentos como revista pessoal, condução de internos e intervenções disciplinares, demandando contato físico frequente com pessoas privadas de liberdade. A legislação brasileira e as normas de execução penal indicam que tais procedimentos devem, sempre que possível, ser realizados por servidores do mesmo gênero dos custodiados, para preservar a intimidade e a dignidade dos presos.
Por essa razão, o MPRN entende que a previsão de vagas separadas por gênero pode ser justificada para atender a necessidades operacionais específicas. Isso inclui reforço de efetivo em unidades femininas, alas para o público transfeminino ou em presídios masculinos, demandando, assim, uma composição específica do quadro de servidores.
O último concurso para policial penal no Rio Grande do Norte, realizado em 2017, previa essa divisão, destinando 79% das vagas a homens e 21% a mulheres. A análise do MP também revelou que, de 24 editais de concursos para a carreira em outros estados, 17 incluíam algum tipo de distribuição de vagas por gênero.
Dados do sistema prisional potiguar indicam que, dos 8.277 detentos, cerca de 95% são homens e 5% são mulheres. Já o quadro atual de policiais penais é composto por 1.381 servidores, sendo 77% homens e 23% mulheres. O MPRN considera que essas informações são fundamentais para a comissão organizadora do concurso antes da decisão final sobre a estrutura das vagas.
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