DIPLOMACIA EM TENSÃO
Congresso do Paraguai exige respeito à história após declarações de Lula
O presidente brasileiro afirmou que o Paraguai "invadiu" o Brasil no século 19; políticos do país vizinho apontam distorção histórica e cobram sensibilidade.
Políticos e autoridades do Paraguai reagiram com profunda indignação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai, classificando a fala como um desrespeito à identidade nacional do país vizinho. A polêmica teve início na sexta-feira (24.jul.2026), quando o brasileiro, ao comentar sobre soberania, afirmou que o Paraguai “invadiu” o Brasil no século 19.
Para os paraguaios, o conflito, ocorrido de 1864 a 1870 e conhecido localmente como Guerra da Tríplice Aliança, representa a maior tragédia da história da nação, tendo dizimado grande parte da população masculina e devastado a infraestrutura do país. A interpretação de Lula sobre as causas da guerra gerou uma onda de notas de repúdio entre parlamentares e membros do Poder Executivo paraguaio.
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, utilizou suas redes sociais para classificar o episódio como um "capítulo vergonhoso" e sugeriu que o Brasil poderia realizar um gesto de reparação devolvendo relíquias históricas. Na mesma linha, o presidente da Câmara, Raúl Latorre, criticou, no sábado (25.jul), a leveza com que o presidente brasileiro tratou o que chamou de "o maior genocídio do nosso continente".
O senador e presidente do Congresso, Basilio Nuñez, formalizou a insatisfação em um comunicado oficial. Nuñez ressaltou que a reação paraguaia não busca reabrir feridas, mas defender a memória coletiva necessária para a soberania do país. O parlamentar enfatizou que a preservação da história é um dever irrenunciável e que o Brasil deve tratar o tema com a responsabilidade que a dor de um povo irmão exige.
A controvérsia também ganhou espaço na imprensa paraguaia. Na terça-feira (28.jul.2026), o apresentador Germán Martínez Vierci leu durante seu programa, na Mega TV, uma carta aberta em que um cidadão paraguaio expressa a dor causada pelas palavras de Lula, reforçando que, apesar do trauma histórico, o povo paraguaio busca a manutenção de laços de fraternidade, desde que pautados no reconhecimento mútuo da dignidade nacional.
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